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Tecnologia 20 de setembro de 2015

Alto custo com logística internacional faz setor de comércio exterior buscar alternativas tecnológicas

Otimização de processos é prioridade para profissionais do setor que lideram movimento em prol da competitividade das empresas brasileiras

O setor de comércio exterior frequentemente enfrenta dificuldades de comunicação e integração entre os participantes das cadeias de suprimentos internacionais. O número de informações e dados necessários para a entrega de cargas importadas e exportadas, desde a colocação de uma ordem de compra até a sua entrega, é extenso. Como o processo envolve diversas partes interessadas, o principal desafio é acompanhar em tempo real todos os processos que envolvem o faturamento, transporte e desembaraço da carga.

Segundo Christian Sandke, um dos idealizadores do Global Pipeline – um movimento criado por empreendedores que pretende simplificar a forma de realizar comércio exterior – o número de informações necessárias para liberação pode chegar a mais de 250, se considerados todos os documentos, cotações, comprovantes de pagamentos, prazos, conferências e entrada de dados nos sistemas das indústrias, dos prestadores de serviços logísticos e do governo.

Coletar, tratar e repassar todas estas informações dentro dos prazos necessários e sem erros é uma tarefa que exige atenção e sinergia de todos os envolvidos. “Este é um processo muito fragmentado, em média são de 5 ou 10 empresas trabalhando em conjunto. Fazer com que todos estejam na mesma página e tenham as mesmas prioridades nos momentos certos é um desafio”, aponta o consultor em Supply Chain e conselheiro do movimento João Benedetto.

Na maioria dos casos, o resultado desta comunicação falha e desalinhada são multas aplicadas por orgãos anuentes, custos indesejados de armazenagem e sobrestadias de contêineres. Além de atrasos que geram paradas de linhas de produção, perda de vendas, necessidade de embarques urgentes e multas por descumprimento de contratos comerciais.

Para o diretor da Associação Brasileira de Transportadores Internacionais (ABTI), Ruy Martins, reunir as informações corretas e necessárias é um passo para garantir competitividade. “Se você tem as informações à mão com facilidade consegue melhorar sua produtividade e fazer mais movimentos com menos recursos, administrar processos de forma mais eficiente e reduzir custos. Sem contar a melhoria do serviço oferecido ao cliente, seja a linha de produção ou o consumidor final”, destaca.

Global Pipeline – Para criar um movimento que busca diminuir justamente os impactos causados por falhas de comunicação, problemas burocráticos e até mesmo por processos inconsistentes dentro e entre organizações, Mário Gorini, diretor da Alivepro, criou a spin-off Global Pipeline, a partir de uma tecnologia de automação de processos desenvolvida por sua empresa. A solução integrará importadores, exportadores, freight forwarders, tradings e despachantes aduaneiros.

Segundo o diretor Mário Gorini, o objetivo é que todas as empresas envolvidas no processo de transporte de cargas internacionais consigam compartilhar informações, acompanhar processos de compra, transporte e liberação em um único ambiente: a plataforma tecnológica Global Pipeline.

A chegada deste movimento ajudará o país no atual momento econômico, com um planejamento mais assertivo do processo de logística internacional, incluindo prazos e requerimentos pré-definidos para cada etapa, minimizando riscos. Na plataforma, alertas serão emitidos sempre que houver o atraso no cumprimento de qualquer etapa e as empresas poderão replanejar suas atividades de forma proativa. Diversos indicadores de desempenho envolvendo tempo, custos e desvios serão obtidos, permitindo a solução de gargalos, a identificação de oportunidades de aprimoramento das cadeias de suprimentos e melhor planejamento das operações.

Para o vice-presidente da Craft Multimodal e conselheiro da Global Pipeline, Bruno Crelier, o planejamento é o ponto chave para a eficiência da logística internacional. “Com uma plataforma integradora à disposição, processos padrão e medição do tempo real de cada etapa da importação ou exportação, teremos mais assertividade, já que trabalharemos com números reais coletados anonimamente dos usuários. Por exemplo, se a liberação de cargas em um determinado porto está levando muito tempo, será possível optar por outros portos que levam ao meu destino num tempo menor”, explica.

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