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Entrevista 9 de junho de 2021

Automação na intralogística e IFOY Award são temas abordados por Gordon Riske, da VDMA e do Kion Group

Gordon Riske, Vorsitzender des Vorstands der KION GROUP AG; Foto: KIONGROUP/Oliver Lang

Presidente do Conselho da VDMA – Associação de Manuseio de Materiais e Intralogística da Alemanha e CEO do Kion Group, Gordon Riske concedeu uma entrevista à equipe do IFOY Award – International Intralogistics and Forklift Truck of the Year, durante os dias de testes com as soluções finalistas, em março último, em Dortmund, Alemanha. A VDMA é patrocinadora do IFOY, considerado o “Oscar da Intralogística”, que tem a Logweb como a única jurada das Américas.

Antes de ser CEO do Kion Group, Riske foi presidente do Conselho Executivo da Deutz AG, de 2000 a 2007, e ocupou vários cargos de gestão dentro da Kuka Roboter, nos Estados Unidos e na Alemanha, de 1982 a 2000, mais recentemente como presidente da Kuka Roboter GmbH. Em 4 de fevereiro de 2020, foi eleito presidente do Conselho da VDMA.

A seguir, Riske fala sobre a tecnologia aplicada às soluções de intralogística, os principais problemas em decorrência da pandemia de coronavírus, como as empresas da área podem se tornar mais competitivas, o papel das startups e uma grande inovação apresentada na última edição dos testes do IFOY Award. Como o foco é o mercado europeu, as respostas nos permitem analisar como o setor vem se desenvolvendo em outros países e as tendências que podem chegar ao Brasil.

 

Você entrou na VDMA pouco antes do lockdown. Qual sua análise após um ano?

A pandemia de Covid-19 e o Brexit foram os tópicos dominantes no ano passado. Mas também houve outros assuntos importantes, como a interface VDA 5050, um verdadeiro marco no setor de intralogística. A solução permite que veículos de transporte automatizados, como os reboques, AGVs ou robôs móveis, interajam entre si por meio do sistema de controle plug-and-play, independentemente do fabricante e do sistema. Ao todo, foi um ano muito ativo. E como VDMA, podemos ficar muito satisfeitos com os resultados.

 

Quais foram os principais desafios enfrentados pelos provedores de soluções para intralogística desde o início da pandemia?

Por um lado, havia muitas incertezas: escassez de material, instabilidade dos sistemas de produção e saída de colaboradores para prestar serviços aos clientes, apenas para citar alguns. Instalar um novo armazém às vezes era impossível. Mas, por outro lado, a demanda por novas soluções, muitas vezes digitais, começou a crescer no segundo semestre de 2020. A pressão para que as empresas fossem competitivas foi muito maior. Entre março e junho de 2020, a pandemia nos atingiu com força, mas já no quarto trimestre, começamos a lidar com isso.

 

O que mudará para a intralogística após a crise?

Provavelmente haverá um impulso em temas como digitalização, automação e sustentabilidade. Alguns clientes nos perguntam: quantos pontos de contato humanos você tem em seu sistema em média por dia? E como você pode reduzi-los? A eletrificação também desempenha um papel importante. No Kion Group, por exemplo, no ano passado, mais de 87% dos produtos entregues foram movidos a eletricidade. Há dez anos isso era muito diferente.

 

A indústria e o varejo enfrentam três problemas principais: demanda incerta, cadeias de suprimentos inseguras e escassez de mão de obra. Como os provedores de soluções para intralogística podem ajudá-los?

Na verdade, a escassez de mão de obra é um desafio. Veja o IFOY Award, há muito menos empilhadeiras conduzidas por humanos do que alguns anos atrás. E você vê muito mais AGVs ou dispositivos de armazenagem sem motorista. As soluções autônomas e digitais serão mais importantes no futuro. Isso ajuda nossos clientes em termos de eficiência e escassez de mão de obra.

 

Em quais áreas os provedores de soluções para intralogística ainda precisam melhorar?

Todos entendem que a digitalização é importante, mas existem outras áreas nas quais a consciência e a execução não estão tão incorporadas como deveriam estar. Um exemplo é o tema sustentabilidade. Esta não é apenas uma tarefa da sociedade como um todo, cada empresa pode e deve fazer algo. Realmente precisamos desenvolver estratégias de longo prazo. Outro exemplo é o tema da velocidade. As empresas alemãs, em particular, querem planejar tudo e tendem a aplicar engenharia excessivamente. E às vezes elas têm medo de apenas começar. Se você olhar para os concorrentes asiáticos, a disposição para aceitar erros é muito maior. E a velocidade de realização das coisas também é muito maior. A velocidade faz parte da inovação. A digitalização tornou as coisas mais transparentes. Se nós, na Alemanha, formos muito lentos e não estivermos dispostos a correr riscos, ficaremos para trás em relação à concorrência asiática.

 

Qual é o papel das startups na intralogística?

Elas desempenham um papel extremamente importante e positivo. Na maioria das vezes, são os jovens que estão dispostos a correr um certo risco. Às vezes há um investidor por trás, para torná-la financeiramente possível, mas nem sempre é assim. No entanto, vemos ideias inovadoras serem desenvolvidas em startups que talvez não aconteçam da mesma forma em empresas maiores. Isso ajuda os dois lados, porque as grandes empresas têm acesso ao mercado e aos clientes e, claro, à necessária experiência de produção. A indústria estabelecida é importante para esses jovens empreendedores transformarem suas ideias em realidade.

 

As startups irão tirar negócios de algumas corporações antigas?

Sim, algumas podem. Ainda acredito na filosofia: “A inovação ao longo do tempo torna o bolo maior”. Se houver muita discussão sobre como conseguir um pedaço maior do bolo pequeno, prefiro tornar o bolo maior para todos.

 

Você vê alguma startup disruptiva no mercado, que poderia se posicionar como uma plataforma entre o cliente e as empresas tradicionais?

Vemos isso o tempo todo em áreas como software, monitoramento de dados e gerenciamento de frota. Onde as barreiras de entrada não são tão altas, uma startup pode fazer uma grande diferença com uma entrada relativamente pequena. Mas a escala importa! Uma rede de atendimento que auxilie o cliente na União Europeia, nos Estados Unidos ou globalmente é um importante diferencial no negócio.

 

Sobre IFOY

Qual impressão você teve dos testes com as finalistas do IFOY?

Além do AGV Mesh-up, vi um conjunto diversificado de 17 produtos e soluções de 14 empresas diferentes. Essa é uma das maiores apresentações que tivemos até agora. O IFOY continuou a evoluir, mesmo na pandemia.

 

Quais são os objetivos da VDMA como patrocinador do maior prêmio de intralogística do mundo?

A VDMA representa as máquinas e a experiência da indústria. Todo setor precisa de vitrines e plataformas nas quais as empresas possam apresentar o melhor do setor, mostrar o desenvolvimento de inovações e levar essa mensagem a um grande público. Uma das coisas mais importantes que a VDMA pode fazer é buscar uma plataforma de inovação na qual empresas e indivíduos sejam homenageados por desenvolver soluções excepcionais.  E o IFOY é essa plataforma.

 

O que você acha do desenvolvimento do IFOY Award?

Ele se desenvolveu muito bem ao longo dos anos. Em 2013, participaram muitas empilhadeiras, agora, vemos muitos dispositivos intralogísticos, softwares e AGVs. O IFOY está muito alinhado com o desenvolvimento técnico de nossa indústria e de seus mercados. Tem um júri profissional internacional, com alcance online mundial de mais de 800 milhões, com mais 3.000 artigos por ano. É uma mensagem ampla enviada globalmente.

 

Parte do Test Camp Intralogistics 2021 envolveu o AGV Mesh-Up introduzido pelo VDMA. O que foi mostrado no primeiro teste ao vivo da interface VDA 5050?

Para os observadores inexperientes, pode não ser muito claro. Tudo o que eles veem é um monte de AGVs correndo em uma área de teste com música tocando ao fundo. Mas pense nisso: esses AGVs funcionam sozinhos, têm sensores, câmeras e sistemas de rastreamento. Às vezes eles se aproximam, mas nunca se esbarram. Os AGVs de diferentes fabricantes são executados em uma interface comum – o VDA 5050. A interface permite a interoperabilidade entre diferentes dispositivos de diferentes empresas em um sistema. Do ponto de vista do cliente, isso significa: eu tenho a opção de escolher diferentes fornecedores de produtos, porque os dispositivos podem se comunicar entre si por meio de uma interface.  O que vimos nos testes foi uma estreia mundial.

 

Qual a importância da interface VDA 5050 para fornecedores em intralogística?

 

Novos produtos decolam quando atingem custo, competitividade e escalabilidade. Uma interface comum oferece escalabilidade. É como nos anos atrás, com 2G, 3G, 4G e agora 5G. Sem esse padrão, seria impossível nos comunicarmos com nossos smartphones da maneira com que fazemos agora. Se você pensar no AGV como um dispositivo inteligente avançando com um padrão de comunicação, isso reduzirá os custos, aumentará a confiabilidade e dará ao cliente uma opção. O padrão ajudará a indústria a crescer.

 

O VDA 5050 terá sucesso fora da Europa?

Se formos rápidos o suficiente e fizermos acontecer, sim. Certamente, a expectativa é ter o VDA 5050 como um padrão global, assim como VDI e ISO. Estamos fazendo um trabalho pioneiro aqui, que certamente tem potencial de alcance global.

 

Quais tendências técnicas em intralogística se tornarão importantes nos próximos anos no IFOY?

Certamente veremos um componente maior de software, de sensores de alta velocidade e automação. No futuro, muito mais produtos serão executados de forma autônoma. Todo o trabalho de preparação para viabilizar essa tecnologia certamente será a tendência em curso nos próximos anos.

 

Saiba mais

Digite “IFOY” no campo de busca do site www.logweb.com.br para acessar todas as notícias referentes à premiação.

 

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