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Conteúdo 3 de março de 2021

Operadores Logísticos: na vanguarda das consolidações

Fundada em 2012, a ABOL – Associação Brasileira de Operadores Logísticos contava com dezesseis membros, com olhares vanguardistas, idealizando criar uma entidade que viesse a estruturar um setor com maior segurança jurídica e maiores investimentos, podendo, assim, oferecer um melhor ambiente de negócios com a atração de mais investimentos, tornando-se protagonistas de uma nova era na prestação logística do país.

Oito anos e meio depois, esse planejamento foi realizado, dado o setor ser reconhecido por todos como uma atividade essencial ao desenvolvimento econômico do país, com feitos e marcas, que corroboram essa posição. Ademais, é o setor que mais se consolida na atualidade, com vários exemplos de abertura de capital.

Ao estar à frente da entidade desde a sua fundação, sinto-me regozijado por termos realizado inúmeros estudos de contextualização do setor, identificação do perfil do operador logístico, atualizando, a cada dois anos, o tamanho do mercado e suas peculiaridades. Esses estudos permitiram, com clareza, que todos tivessem acesso, com total transparência, aos principais dados do mercado, permitindo aos stakeholders que compreendessem bem a sua estrutura, abrangência, pujança e potenciais.

Os números impressionam. No primeiro estudo produzido em 2013/2014, o qual, de fato, caracterizou, definiu e contextualizou o operador logístico no Brasil, realizado em parceria com a KPMG Consulting, Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Júnior e Quiroga Advogados, com a presença da FDC (Fundação Dom Cabral), foi identificado um mercado composto por cerca de 159 empresas responsáveis por um faturamento bruto anual próximo a R$44,3 bilhões, gerando algo como 710 mil empregos diretos, indiretos e cadeias periféricas, sendo responsáveis por aproximadamente R$9,2 bilhões em impostos, tributos e contribuições.

Caracterizado como um integrador de atividades logísticas, o operador logístico é, igualmente, um integrador de CNAEs (Classificação Nacional de Atividades Econômicas), não dispondo de uma CNAE específica, cuja classificação é adotada pela ONU (Organização das Nações Unidas), utilizando-se, portanto, de tantas CNAEs quantos venham a ser os serviços por eles prestados. Desta forma, precisar os números do setor é um verdadeiro malabarismo estatístico.

Dentro do plano de trabalho da ABOL, sequenciamos os estudos e as pesquisas de mercado e, a de 2016/2017 mostrava, mesmo diante das crises da época, que o setor seguia resiliente, aferindo que as 245 empresas caracterizadas como operadores logísticos tinham receita bruta anual de R$65,2 bilhões, empregando algo próximo a 1,1 milhão de brasileiros, de forma direta e indireta, arrecadando cerca de R$13,6 milhões em impostos, tributos e encargos.

No período pesquisado, podemos verificar o significativo incremento do mercado, tanto no que concerne ao número de empresas no trade, crescendo em 54,1% em relação à pesquisa anterior. Já referente à receita bruta, o crescimento registrado teve avanço de 47,2%, enquanto na análise sobre geração de empregos, o fator agregado foi de 54,59%. Quando se trata da arrecadação de impostos, tributos e contribuições arrecadados, a variação foi de 47,83%.

Em 2017/2018, novamente com a FDC, promovemos um novo estudo, mostrando-nos fatos muito interessantes. Com crescimento de 9,8%, a base de pesquisa passou a ser de 269 empresas identificadas e caracterizadas como operadores logísticos. A receita bruta do setor chegara a R$81,4 bilhões, subindo 24,85%, em relação ao estudo anterior. Na geração de empregos diretos, indiretos e cadeias periféricas, os números saltaram em 33,21%, passando para 1,4 milhão de brasileiros engajados nas empresas.

Por fim, o último estudo realizado, referente ao período de 2019/2020, também promovido em parceria com a FDC, disponível gratuitamente no site da ABOL (www.abolbrasil.org.br), mostrava um fenômeno bastante peculiar, merecedor de nossas atenções e desdobramentos para melhor compreensão dos números.

Nessa última edição, contamos com 275 empresas, um acréscimo de apenas 2,23%. Contudo, aferimos um crescimento em receita operacional bruta bem maior, de 23,83%, registrando R$100,8 bilhões anuais. Quando a abordagem foi a geração de postos de trabalho, diretos e indiretos, chegamos à marca de 1,5 milhão de pessoas engajadas no setor, um aumento de 5,35% em relação ao estudo anterior. Já quando o ponto em análise foi a arrecadação, registramos R$26,2 bilhões em tributos, impostos e encargos anuais, representando um crescimento de 13,42%.

O que começou a chamar bastante a nossa atenção foi o fato de que crescíamos de forma decrescente no número de empresas, enquanto, mesmo diante de incrementos muito modestos da economia no período, víamos que a receita bruta anual do setor dava saltos muitas vezes maior do que a própria economia. Essa correlação também se dava no quesito arrecadação.

Outros dois dados, entretanto, mostravam-nos singularidade. O primeiro, o número da massa empregada a cada estudo, não tinha paralelo com o movimento das demais rubricas, aproximando-se do que verificávamos quanto ao número de empresas identificadas em operação no mercado, mantendo-se quase inalterado.

Outro dado nos impressionava, o faturamento médio por empresa, que escalou bastante, tendo sido verificado no primeiro estudo, em 2013/2014, na ordem de R$278,6 milhões anuais, passando para R$366,6 milhões anuais no estudo de 2019/2020.

Ao cruzarmos esses dados, demo-nos conta de que o fenômeno da consolidação acentuada e crescente no setor justificava os números aferidos.

Menos empresas são identificadas no mercado, caracterizadas como operadores logísticos, com aumento expressivo de receita bruta do setor, observando-se um aumento modesto na geração de postos de trabalho, o que significa otimização de headcount partir das consolidações.

Todo esse levantamento vê-se corroborado nos dados da ABOL. Hoje os 30 associados, tendo chegado a 35 empresas nos quadros de afiliados, leva-nos a evidenciar que o movimento de Fusões e Aquisições, ou em inglês M&A (MergersandAquisitions), vem se dando com mais celeridade, robustez, de forma crescente e, pelas características das empresas associadas, ocorrem predominantemente no âmbito da ABOL.

Diante dos muitos exemplos verificados na esfera da própria entidade, diria que o mercado está com bastante apetite e os fundos de investimento estão atentos ao interesse dos atores do setor, dispostos a dele participarem.

Acompanhar de perto o setor é sinal de prudência e de busca por oportunidades de elevado valor.

Carlos Cesar Meireles Vieira Filho Carlos Cesar Meireles Vieira Filho

Mestre em administração pela UFBA, é graduado em administração de empresas pela UPE, tem 35 anos de experiência em gestão empresarial e logística e relações institucionais e governamentais. É CEO da ABOL – Associação Brasileira de Operadores Logísticos.

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