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Conteúdo 5 de fevereiro de 2021

Construção da cadeia de abastecimento

Foto de Joey Kyber no Pexels

Foto de Joey Kyber no Pexels

INTRODUÇÃO

A iniciativa Prosa com Bertaglia (clique aqui) tem trazido discussões fantásticas ao redor de muitos temas. Um deles que invariavelmente aparece nas conversas está relacionado com o momento do supply chain. As cadeias de abastecimento estão tendo um momento extremamente importante.

O surgimento de um grande evento transformador, como a pandemia, destacou a importância, a interdependência e a fragilidade da logística e supply chain de um mundo globalizado e fortemente conectado.

Imaginemos um jogo de dominó. As rupturas nas cadeias globais, regionais e até mesmo locais têm um efeito cascata, com consequências muitas vezes devastadoras para as empresas, seja na obtenção, na fabricação e distribuição de bens para clientes e consumidores.

As pedras dos dominós começaram a tombar quando os países fecharam suas fronteiras, frearam as produções, instalaram o “lockdown”. Uma tempestade atingiu nosso planeta. Uma pressão significativa foi imposta às cadeias, forçando fabricantes a “se virarem nos trinta” para dar conta do recado à medida que as redes de abastecimento iam se rompendo.

Eu sei que não temos o hábito de olhar pelo retrovisor. Mas é importante. Vide a greve do transporte ressurgindo. Vou listar alguns elementos importantes que ajudam na construção de um Supply Chain resiliente e que têm aparecido nos meus diálogos e consistentemente em artigos e blogs internacionais. Eles não são apenas eficientes, mas podem evitar rupturas nas cadeias.

CONHECIMENTO

Estamos adentrando a era do conhecimento e deixando a era da informação para trás. Para muitas iniciativas de hoje, a criação, manutenção e uso de conhecimento são elementos essenciais para o sucesso. É importante entender que os conhecimentos mais valiosos podem não estar diretamente codificados nos dados que coletamos ou adquirimos, mas devem ser buscados nas conexões que podem ser feitas entre diferentes informações, e as inferências que podem ser feitas com base nesses dados.

O conhecimento do mercado é fundamental na manutenção de uma cadeia de abastecimento ideal que equilibre a prioridade do serviço com o custo do estoque, por exemplo. Sem conhecimento em tempo real, os líderes da cadeia podem estar olhando pelo retrovisor e, portanto, incapazes de reagir de forma ágil à oferta e à demanda. As crises, como a pandemia que vivemos, desafiam e interrompem as práticas convencionais da cadeia de valor de uma forma que poucos poderiam prever. Para se preparar para potenciais futuros eventos disruptivos, refinar o conhecimento é fundamental.

O distanciamento social e outros desafios que temos vivido devem servir de incentivo para que os profissionais atualizem seus conhecimentos por meio da educação virtual. Várias oportunidades de educação virtual, incluindo webinars, conferências e cursos online pagos e gratuitos aconteceram e vem acontecendo. Agarre esta oportunidade. E enfatizo a minha máxima: EDUCAR PARA TRANSFORMAR!

RESILIÊNCIA

A pandemia desafiou todos os aspectos das cadeias globais, desde as necessidades de clientes e consumidores e a disponibilidade de insumos até o uso de mão de obra e recursos tecnológicos.

Embora o termo resiliência seja amplamente falado e pouco aplicado, a construção de uma rede de negócios conectada, inteligente e colaborativa é fundamental para se obter um desempenho alto na cadeia de abastecimento.

Existem vários elementos que oprimem os elos da cadeia. E os elos precisam suportar as pressões impostas. Resiliência é o nome do jogo. Há que se ter visibilidade da cadeia, garantir a transparência e controlar a jornada dos produtos e serviços envolvendo planejamento, compras, fabricação e distribuição, além das entidades externas que compõem a rede.

É fundamental que o jogo seja jogado com a cabeça orientada para os desejos e necessidades dos clientes, além de capacitar a empresas para os quesitos que os atendam. Parece óbvio. Mas não é. Segundo estudos da Accenture, apenas 10% das empresas globais investem para atingir as expectativas dos clientes. Muitas empresas conseguem harmonizar processos, tecnologias e indicadores dentro de uma perspectiva global. Outras não tem isso.

Procure orientar-se para a perspectiva da agilidade e flexibilidade para responder melhor ao cenário de negócios em constante mudança. Criar nichos pode trazer vantagens. Nichos de fabricação, processos ou mesmo tecnológicos. As vezes a harmonização global pode ser um terrível fantasma, oferecendo bom desempenho em marés controladas. Mas em tempos de maremoto podem ser vertiginosamente prejudiciais. Depende de como o sistema foi montado. Sistema aqui não é tecnologia. Mas no negócio, inclusive tecnologia.

Pode-se perder no fluxo de informação, pois a desvantagem é trabalhar em silos. Mas em situações de crises pode ser uma saída. Isolar o problema é uma alternativa. Sempre fui favorável a uma visão holística. Ela ajuda na visão do todo e na gestão completa. Mas muitas vezes não proporciona agilidade. Mas tem hora que a estratégia precisa ser alterada para se adequar à maré. Não é mesmo? Mesmo que existam os pontos cegos organizacionais. Que podem ser eliminados pela interconectividade tecnológica.

RELACIONAMENTO E CONFIANÇA

Os maiores desafios na cadeia de abastecimento provêm da confiança nas estruturas internas e externas no cumprimento das especificações e prazos de entrega. Isto se torna ainda mais complexo quando se trata de insumos que precisam girar rapidamente, como é o caso de produtos alimentícios.

A gestão de uma arquitetura sistêmica de negócios deve buscar uma otimização olhando pela perspectiva de foco em possíveis variações nos pontos transacionais e operacionais da cadeia. Pode parecer estranho. Vamos lá. As interrupções ou custos excessivos de movimentação de estoques são resultado dos pontos transacionais muitas vezes negligenciados e menos óbvios entre os elos tradicionais de fornecimento, fabricação e distribuição de matérias-primas e componentes.

O que eu chamo de etapas transacionais aqui são os testes de ingredientes, inspeções de qualidade, liberação de produtos, alocação de transporte, gestão de importação entre outros, que podem causar muita variabilidade e se transforma em armadilhas que agregam risco, tempo e custo. Quantas vezes uma produção parou, pois, um insumo para um produto estava fora de especificação? Pode ser uma etiqueta ou um rótulo que estavam na curva C ou D de valor. E no transporte então. Os atrasos são frequentes. Diga que não passou por isso.

Ao focar estes elos ou etapas e suas possíveis variações, se inclui o aumento da confiabilidade como parte da estratégia, melhorando os prazos de entrega e os níveis de estoques, além de possuir melhor previsibilidade. Resultado? Melhor serviço ao cliente.

CONCLUSÃO

A cadeia de abastecimento não é uma área reservada à administração do fluxo de mercadorias e seus custos. É a espinha dorsal de qualquer organização. Em uma época em que os consumidores são sensíveis ao preço e reavaliam o que é importante, é fundamental que algumas iniciativas sejam empregadas e levadas mais a sério pelas organizações.

Conhecimento, resiliência, confiança são alguns dos atributos que julgo fundamentais para ajudar as empresas, suas marcas, imagem e reputação. E lógico seus clientes.

Ao infinito e além. Que a força esteja conosco. Nos cuidemos e muito! Estou no LinkedIn. Me procure por lá e vamos trocar ideias. É sempre saudável!

Paulo Roberto Bertaglia Paulo Roberto Bertaglia

Fundador e Diretor Executivo da Berthas, atuou nas empresas: IBM, Unilever, Hewlett-Packard e Oracle. Ao longo da carreira tem se especializado nas áreas de Supply Chain Management, Gestão estratégica de Negócios, Liderança, Vendas e Terceirização de Serviços. Professor de pós-graduação em Logística, Gestão Estratégica de Negócios e Tecnologia da Informação. É Autor de vários livros, entre eles Logística e Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento – Editora Saraiva, 4ª edição – 2020. Realiza palestras de temas estratégicos, cadeia de abastecimento e liderança empresarial para empresas e instituições educacionais.

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