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Conteúdo 12 de novembro de 2010

Hora de infraestrutura e logística

Não existe crescimento econômico contínuo sem investimentos em infraestrutura. A China é o principal exemplo disso. Um país pode ter um ambiente financeiro atrativo, empresas inovadoras, população bem educada, mas se não for capaz de gerar energia e escoar sua produção é impossível se desenvolver economicamente. Esta é uma lógica incontornável.

Investir nessas áreas, portanto, deve ser prioritário para qualquer Governo. Infelizmente, como sabemos, o Brasil não fez essa lição de casa nos últimos anos e deve acelerar para compensar o prejuízo, principalmente agora que muitas das condições para o crescimento econômico, inexistentes antigamente, foram, finalmente, estabelecidas.

E quando uma nova administração se prepara para assumir o comando do país, é sempre uma boa oportunidade para que os problemas com a infraestrutura sejam revistos e sua solução alçada à prioridade. É fundamental para o país sustentar o crescimento uma revitalização de portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, hidrovias, etc.

O novo Governo deve se convencer de que, além de um planejamento mais apurado, é essencial mais dinheiro para essa tarefa. A China, sempre ela, investe por ano cerca de 4% a 5% em infraestrutura de movimentação de cargas, enquanto o Brasil apenas 0,5%. Segundo um estudo da Associação Brasileira da Infraestrutura (Abdib), para adequar a infraestrutura ao crescimento do país esse investimento deveria pelo menos dobrar nos próximos anos.

É muito dinheiro, é verdade, mas de retorno indiscutível. Além dos benefícios futuros, sabemos que o incremento de 1% nos investimentos em infraestrutura gera, em curto prazo, uma variação positiva de 0,39% no PIB.

Também é necessário avaliar a atração de recursos externos para o país. Um estudo da consultoria inglesa Economist Intelligence Unit (EIU) com empresários internacionais identificou que 49% atribuem as dificuldades enfrentadas nos seus negócios por aqui aos problemas de infraestrutura. Eles citam fretes rodoviários caros, malha ferroviária insuficiente, portos e aeroportos sobrecarregados e hidrovias inexistentes. É certo que isso prejudica a entrada de mais investimentos.

Devemos lembrar que o Brasil é um país com renda média, população de quase 200 milhões de habitantes, expectativa de crescimento em torno de 5% nos próximos anos, democracia consolidada e ambiente econômico favorável. Se tivermos uma infraestrutura de qualidade seremos um dos lugares mais atraentes para investimentos no mundo. Tudo isso deve entrar na conta do próximo Governo.

No entanto, infraestrutura não se constrói apenas com esforços públicos. É uma tarefa complexa e cara demais para os cofres e a burocracia do Estado. É fundamental ter a parceria da iniciativa privada no empreendimento. É dela que virá a maior parte do dinheiro e o conhecimento necessários. Por isso, a administração pública deve, além de fazer sua parte, também se esforçar para atrair os empresários. Na verdade, convencer a iniciativa privada de que o investimento nessa área pode ser um ótimo negócio.

Empresas de todos os segmentos devem prestar mais atenção nas oportunidades oferecidas no setor de infraestrutura, principalmente em relação à logística.

Nos últimos anos foi possível observar que quando o país cresce 5%, por exemplo, a demanda por serviços de logística aumenta em 15%, ou seja, as companhias especializadas se expandem três vezes mais rápido do que a economia em geral. E, mantidas as condições atuais, essa equação vai perdurar por muitos anos. Não é preciso ser um gênio financeiro para perceber a oportunidade.

De acordo com o BNDES, até 2014 o setor industrial vai investir cerca de R$ 850 bilhões no país. Deste montante, informa o banco, R$ 330 bilhões serão destinados para a logística. Na mesma direção uma pesquisa da Fundação Dom Cabral com 76 grandes empresas revelou que 91% pretendem investir na área em 2010.

O mercado de logística, hoje estimado em R$ 300 bilhões, deve dobrar nos próximos 5 anos. No Brasil ainda existe um enorme potencial a ser explorado. Por aqui, apenas cerca de 5% das empresas tratam a logística com a importância devida, seja por meio de um departamento interno ou da contratação de um operador. No Japão e na Europa este índice é de 30% e nos EUA de 25%. Dadas as novas exigências da economia brasileira, mais e mais empresas terão que investir na área em busca de competitividade.

Por outro lado, atuar na área de infraestrutura e logística não é para qualquer um. É preciso uma combinação de conhecimento, experiência, muito dinheiro para investimentos imediatos e capacidade para aguardar lucros de médio prazo, em alguns casos até 10 anos. Juntar essas características foi, até há pouco tempo, algo raro no Brasil. Inicialmente pelo monopólio estatal da infraestrutura e depois pela desconfiança do país honrar seus compromissos.

Superados, em parte, esses obstáculos, atualmente já é possível observar essa fórmula mágica na prática. Algumas empresas nacionais de ponta e outras multinacionais atuantes no país começaram a receber atenção de fundos de investimento juntando, assim, a capacidade técnica com a econômica.

Da mesma maneira, bancos públicos e privados começam a perceber que o crédito para esse setor se tornou de ótima qualidade. Financiar essa expansão passou a ser considerado um lance oportuno no xadrez atual da economia.

Esse novo ambiente já está produzindo resultados práticos. A concorrência aumentou consideravelmente, obrigando as companhias a se modernizarem e buscarem capacidade de investimento. Dessa maneira, fusões e aquisições se tornaram frequentes, apontando para uma tendência de se estabelecer um cenário apenas com grandes empresas.

Sem duvida, o quadro está se tornando muito melhor, mas ainda é necessário aprofundar os esforços. Governo e iniciativa privada devem perceber que este é o momento da infraestrutura e não deixar passar a oportunidade. A administração pública precisa liberar mais recursos, acelerar obras e cuidar para que os responsáveis por seu planejamento e execução sejam profissionais. Aparelhamento político nessa área é fatal. E as empresas, cada vez mais, perceberem que a infraestrutura não é apenas um meio, mas um fim para os bons negócios.
 

Antonio Wrobleski Filho Antonio Wrobleski Filho

Antonio Wrobleski Filho – Presidente do Conselho de Supply Chain e Logística no ILOG – Instituto Logweb de Logística e Supply Chain e presidente da AWRO Associados Logística.

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