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Conteúdo 16 de maio de 2022

Logística: seu papel na economia e sociedade

 

INTRODUÇÃO

Venho trabalhando com gestão da cadeia de abastecimento e logística por muitos anos. E a logística desempenha um enorme papel na economia e na sociedade. Segundo o ILOS, especialista em logística, o setor representa 12.7% do PIB brasileiro. Um percentual bastante expressivo. Além do mais, é um setor que vem crescendo significativamente em função da intensificação do uso do comércio eletrônico.

Imaginemos um mundo, ainda que difícil, onde nada pode ser entregue ou movimentado entre lugares. Pois bem, não só a logística é de grande importância para o transporte e distribuição de produtos, como também passou a ser cada vez mais rápida e eficaz. Pessoas e empresas já não querem esperar mais que o necessário pelas mercadorias. E, portanto, este “mais que o necessário” passa a ser cada vez mais curto, mais rápido, mais urgente.

Entregas de mesmo dia passam a fazer parte de nossas vidas e das empresas. Muitas empresas dependem de transporte e logística para manter seus negócios fortes. A logística é um elemento importante de “supply chain”, a cadeia de abastecimento. Ela é responsável pela movimentação para fora da organização, colocando produtos no mercado. Mas também é responsável pelo fluxo inverso. Logística reversa e retorno de mercadorias fazem parte do contexto. E quero registrar aspectos de importação e exportação, pois são agentes importantes de movimentação e geração de empregos.

 

ECONOMIA

O impacto logístico na economia tem sido tão forte que é visível o desencadeamento do crescimento econômico na última década. No passado, as empresas estavam preocupadas em manter estoques, focadas no nível de serviço aos clientes. Sim, este era o raciocínio. Estoques altos, níveis de serviços mais altos. As mercadorias demoravam para chegar até o cliente. As empresas carregavam muito mais estoques do que precisavam, onerando as finanças e tornando-se vulneráveis às mudanças de demanda do mercado.

Atualmente, as empresas possuem muito mais flexibilidade, principalmente no que se refere ao acúmulo de estoques. Conceitos como Just-in-Time e logística enxuta passam a fazer parte do linguajar logístico. A terceirização aparece com força, criando empresas especializadas em armazenagem e movimentação – os operadores logísticos. Empresas são criadas. Mais empregos são gerados. Portanto, maior preparação é demandada. Mais infraestrutura é necessária. Investimentos e priorizações devem ser vistos em todos os modais. Novos modelos de negócios são necessários. A mobilidade urbana passa a ser uma preocupação também da logística. Como entregar mercadorias a um custo compatível, na velocidade e conveniência de consumidores e clientes finais? Que modais de transporte usar? Como resolver os gargalos?

A logística é responsável pelo “ir e vir de mercadorias”. Este “ir e vir” interfere na economia tanto no setor de serviços, como indústria e agronegócio.

 

TECNOLOGIA

Falar do uso da tecnologia na logística é “chover no molhado”. Atividades como planejar, controlar estoques, monitorar transportes, fazer gestão de frotas e armazéns, buscar visibilidade completa da cadeia, além de indicadores de níveis de serviço, se tornaram atividades corriqueiras no mundo das empresas que buscam uma logística mais dinâmica, competitiva, ágil e eficaz.

Tecnologias disruptivas passam a fazer parte também deste turbilhão tecnológico que impacta as organizações. Drones, robôs, veículos autônomos, inteligência artificial, roteirização, realidade virtual são alguns dos exemplos usados na logística. A inovação parece não ter limites.

Bem recentemente fiz um trabalho de pesquisa junto a algumas instituições e concluímos que no Brasil há mais de 7000 startups, entre as quais cerca de 400 estão desenvolvendo alguma solução voltada para a logística. Fantástico não? Fica claro que uma boa empresa busca integrar todas as funções da cadeia de suprimentos em uma estratégia digital, visando acompanhar pedidos, veículos e produtos para ganhar maior visibilidade.

 

SUSTENTABILIDADE

Mesmo antes de a pandemia iniciar-se, era visível a expansão e o crescimento do comércio eletrônico no contexto global. Mais do que nunca, as operações logísticas possuem uma responsabilidade com relação ao tema da sustentabilidade. Todas as organizações estão buscando formas de reduzir o impacto de suas operações no meio ambiente.

Objetivos globais de redução da emissão de carbono estão sendo estabelecidos pelos governos e as pessoas estão cada vez mais conscientes desta necessidade. Fica claro que antes de qualquer CNPJ, vem o CPF, portanto, não são as organizações que priorizam tais iniciativas, mas os CPFs que estão liderando e investindo nestas empresas e suas estratégias. Os custos se apresentam como enormes obstáculos para avançar com a chamada “Logística verde”, pois demandam investimentos substanciais.

No entanto, nenhuma empresa, de qualquer porte, pode se dar ao luxo de ficar de fora de tais iniciativas. Em paralelo, os consumidores estão demandando agilidade, facilidade e conveniência, principalmente no comércio eletrônico. Tudo isso tem um preço. Mais embalagens, mais cargas fragmentadas, mais transportes são situações que precisam ser avaliadas. A questão da embalagem é fundamental na abordagem da sustentabilidade. Plásticos, entre outros, acabam sendo uma questão ecológica. Nossos oceanos e rios que o digam.

Os mais conscientes querem preservar e proteger o mundo para as gerações futuras, e esperamos que tanto empresas, quanto indivíduos, estejam preparados para alterar seus hábitos de compra.

 

EDUCAÇÃO

Muito tem-se falado sobre a reforma educacional ultimamente para atender as necessidades de mercado. Quantos desafios logísticos encontramos no dia a dia do trabalho? Para mim, muitas vezes os maiores desafios na logística não se limitam apenas a assegurar os melhores custos e a entrega das mercadorias no momento adequado. Isso é básico.

Contudo vivemos em um cenário cada vez mais complexo dominado por questões legais, preocupações com a sustentabilidade e considerações regulatórias e éticas que tendem a afetar não apenas a receita de uma empresa, mas também a posição da marca.

Diante desse cenário, o futuro da gestão da logística e cadeia de abastecimento exige que os profissionais e líderes logísticos estejam preparados para entregar além do esperado. Eles são os defensores e guardiões de seus negócios e reconhecer quais são os desafios fundamentais para encarar o ecossistema atual.

É aí que entra a educação. Como preparar pessoas para administrar riscos, entender os efeitos da globalização, a complexidade da cadeia de abastecimento, usar tecnologia e colaborar na cadeia? Como as universidades criam suas disciplinas e o que elas ensinam é fator fundamental na preparação das pessoas. E estas, por sua vez, como sérias protagonistas, devem exigir qualidade de ensino e não qualidade de diploma. Não podemos permitir que o ensino da logística seja banalizado. Nós, profissionais do setor temos que exigir. A preparação das pessoas leva a profissionais melhores, empresas mais respeitadas e um país mais competitivo.

 

CONCLUSÃO

Talvez a expectativa desta leitura fosse encontrar uma agenda mais positiva. Meu intuito foi sinalizar o aspecto essencial do papel logístico, mas ao mesmo tempo mostrar o que precisamos fazer no Brasil, na sociedade ou em nossa comunidade para termos condições ideais de trabalho e conscientização para um planeta e uma vida melhores.

O trabalho pela frente é árduo. Ele depende totalmente do caminho que empresas e indivíduos querem perseguir. Toda inovação deve criar valor. Afinal qual a jornada? Tenho repetido insistentemente que a logística não é apenas transportar e armazenar. Exige uma inteligência fantástica para fazê-la acontecer. Conhecer o caminho a percorrer, entender os processos, estabelecer prioridades, planejar corretamente e integrar as ações nos leva à tomada de decisões importantes para que sejamos extremamente competitivos. E ser competitivo não é apenas o melhor custo, mas sim, a velocidade, a confiabilidade e não esquecer da sustentabilidade. Estou batendo firme neste tema. O futuro vai dizer que estou correto.

Por hoje é isso. Estamos por aqui.

Ao infinito e além. Que a força esteja conosco. Nos cuidemos e muito! Caso queira me conhecer melhor, me busque no Linkedin e vamos trocar ideias. É sempre saudável! Me acompanhe também no meu canal do Youtube: https://www.youtube.com/paulobertaglia

 

Paulo Roberto Bertaglia Paulo Roberto Bertaglia

Fundador e Diretor Executivo da Berthas, atuou nas empresas: IBM, Unilever, Hewlett-Packard e Oracle. Ao longo da carreira tem se especializado nas áreas de Supply Chain Management, Gestão estratégica de Negócios, Liderança, Vendas e Terceirização de Serviços. Professor de pós-graduação em Logística, Gestão Estratégica de Negócios e Tecnologia da Informação. É Autor de vários livros, entre eles Logística e Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento – Editora Saraiva, 4ª edição – 2020. Realiza palestras de temas estratégicos, cadeia de abastecimento e liderança empresarial para empresas e instituições educacionais.

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