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Conteúdo 3 de maio de 2021

Logística Verde, será que vale para mim?

Cada vez mais, temos ouvido pressões sobre questões de clima, e certamente a logística tem um impacto importante, visto as emissões de CO pelos veículos, entre outros pontos. As questões ambientais representam um dos desafios emergentes para sociedade contemporânea e, claro, para a logística.

Estudos têm discutido a importância crescente da sustentabilidade e, em particular, da sustentabilidade ambiental na logística, estando estritamente relacionada com a globalização e a tendência tradicional da logística em impactar o ambiente.

O paradigma “verde” surgiu no início dos anos 1990, com um debate sobre a poluição e o aquecimento global. Portanto, a logística não poderia deixar de tornar suas atividades sustentáveis e “amigas” do ambiente, a fim de enfrentar as questões do relacionamento com o transporte, um dos principais contribuintes para a degradação ambiental.

Em 1990, a “década do meio ambiente”, começava o conceito de Green Logistics (Logística Verde) e, assim, profundamente investigado de acordo com diferentes perspectivas focadas no estudo de integração ambiental.

Na literatura, existem diferentes alternativas de definições para Logística Verde. Em particular, de acordo com dois estudiosos: Wu e Dunn, está relacionada com: “Um sistema logístico responsável pelo meio ambiente, que não inclui apenas a logística de encaminhamento do processo, desde a aquisição de matérias-primas, produção, embalagem, transporte, armazenamento, até a entrega ao consumidor, mas também inclui a logística reversa para lidar com os resíduos, reciclagem e descarte”.

Nos últimos tempos, outros estudiosos consideraram Green Logística como um sistema de distribuição de transporte eficiente e ecologicamente correto, cujo desenvolvimento deve ser conjugado com produção verde, comercialização, consumo e outras atividades econômicas que respeitem os princípios do desenvolvimento sustentável. A logística verde inclui muitas atividades diferentes, como: compra verde, gerenciamento e manufatura de materiais verdes, distribuição e marketing verdes e logística reversa.

Esta atividade tem uma influência positiva em diferentes ações e processos relacionados a compras, embalagem e transporte, cujos benefícios e desafios têm sido estudados por diversos especialistas ambientais.

Assim, os estudos apontam para a medição e redução dos impactos ecológicos das atividades logísticas por meio de tecnologias e equipamentos, a fim de reduzir emissões de CO, menor consumo de recursos e obtenção de um desenvolvimento sustentável duradouro. A “ecologização” da logística é geralmente baseada na ação de três atores principais: governos, empresas e consumidores.

Assim, vejamos como posicionar a participação destes no cenário nacional e identificar a viabilidade de uma logística mais ecologicamente responsável.

Da perspectiva do governo, há uma pressão internacional para controle e redução de gases de efeito estufa, controle de desmatamento, entre outras situações, em especial dos países desenvolvidos, que criam barreiras à exportação de produtos não ambientalmente “amigáveis” e bloqueio de envio de recursos, como temos vivenciado ultimamente em especial pelos governos dos Estados Unidos e da Alemanha.

Sabemos que temos uma baixa representatividade no comercio internacional, mas somos altamente dependentes da exportação, em especial, de commodities agrícolas, e mais restrição poderá significar um “desastre” a essa importante indústria nacional, a agricultura. Assim, parece inevitável que o governo, de uma forma ou outra, caminhará na regulamentação de restrições ambientais na produção, comercialização e distribuição de produtos.

Para as empresas, em geral, fatores de controle ambientais impactam negativamente nos gastos, isto é, produtos ecologicamente corretos tendem ser mais caros. O que a princípio pode parecer, mas é aí que a tecnologia pode contribuir. De forma sustentável, podemos produzir e distribuir produtos, considerando o desafio de poluir menos, seja no processo de fabricação, seja na distribuição, e neste quesito é que a logística verde tem seu papel.

Como racionalização dos roteiros de entregas, veículos menos poluentes, melhor ocupação da carga nos veículos, uso de materiais reutilizáveis e recicláveis para embalagens, otimização das redes logísticas (malhas), entre outras iniciativas “green”.

E, por fim, o consumidor, que sabemos, em especial os mais jovens, que possuem maior consciência ambiental e responsabilidade social. Mas sinto que temos ainda muita oportunidade de participação da sociedade aqui no Brasil. Até entendo que temos tantas outras prioridades, que esta ainda não está no topo da lista, mas não podemos continuar sendo sempre um dos últimos…

Entendo que já está na hora de nos acostumarmos a incluir a logística verde. E, de seguidores, passarmos a protagonistas destas iniciativas e viabilizarmos de forma sustentável em sua essência, com a sustentabilidade econômica, ambiental e social, e caminharmos para um país mais integrado.

Edson Carillo Edson Carillo

Engº Mecânico, PMP e MBA na St. John’s University. 30 anos de experiência como CEO em consultorias em Supply Chain & Logística. Professor de MBA e Pós MBA da FGV. Co-autor de vários livros e especialista em TOC (Theory of Constraints) pelo Avraham Goldratt Institute. Especialista em automação de armazéns, estudos de malha logística e planos estratégicos para operações logísticas. Atualmente, é CEO na Connexxion Consulting (www.connexxion.com.br).

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