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Conteúdo 20 de agosto de 2021

Memória e conceituação logística

Convido você a refletir sobre a relevância de termos uma memória logística no Brasil. Convido você a refletir sobre a importância da conceituação na logística. Convido você a pensar que os pioneiros do setor estão envelhecendo, e suas memórias correm o risco de ficarem esquecidas. Enquanto isso, uma academia forma e disponibiliza pessoas ao mercado, que em dado momento não estão de fato preparadas. Estamos falando de formadores e formandos.

Vejo um distanciamento entre a formação efetiva e o profissional procurado para atuar e dar resultados nas companhias.

As associações de nossa classe deram pouca importância para a renovação do público formador de opinião em logística. As ações são muito pequenas e pontuais, enquanto na área da pesquisa, há bem poucos resultados efetivos. Os que se engajam na carreira de pesquisador obtêm o título, mas não pesquisam efetivamente. Ou desistem da área e vão fazer outras coisas.

A conceituação de termos é, em todo o tipo de pesquisa, uma necessidade, já que nos situa no objeto de investigação e permite, ao longo da leitura, uma interpretação mais adequada em relação ao entendimento do que é proposto.

Por outro lado, se faz necessária na medida em que aquilo que se busca conhecer possui menor exploração dentro da literatura, como é o caso da Logística, tanto pela perspectiva de sua conceituação como de suas tendências (1).

Assim, minha proposta é, a partir de agora, fornecer os elementos básicos dos aspectos gerais que operam diretamente no âmbito da Logística e que fornecem a base para o entendimento de sua dinâmica.

Chamo aqui a academia e os profissionais para que reflitam sobre os rumos que tem tomado essa importante área no Brasil, com professores e profissionais rasos em suas formações.

Inicialmente, importa entender a própria Logística.

Logística – Na maioria das definições pesquisadas, o termo aparece referindo-se a planejamento, transporte, métodos eficientes de distribuição, etc. O termo foi cunhado inicialmente pelos gregos numa referência à parte da aritmética e da álgebra que cuida das quatro operações, tendo posteriormente incorporado seu sentido à perspectiva da guerra. De fato, foi posteriormente reconhecida como a parte fundamental dos serviços de apoio aos combatentes em campos de batalha, e por isso, Ferreira (1999) o define por tal perspectiva:

“Parte da arte da guerra que trata do planejamento e da realização de: a) projeto e desenvolvimento, obtenção, armazenamento, transporte, distribuição, reparação, manutenção e evacuação de material (para fins operativos ou administrativos); b) recrutamento, incorporação, instrução e adestramento, designação, transporte, bem-estar, evacuação, hospitalização e desligamento de pessoal; c) aquisição ou construção, reparação, manutenção e operação de instalações e acessórios destinados a ajudar o desempenho de qualquer função militar; d) contrato ou prestação de serviços”.

Tal parecer mantém ressonância com o que é definido por Cunha (1986: 479) que, em relação ao termo, o define como “parte da arte militar referente ao transporte e suprimento das tropas em operações”.

A Logística encerra, portanto, os princípios nos quais se fundamentam todas as ações de distribuição de mercadorias, cuidando de equalizar tal ação à demanda das empresas modernas. É, portanto, o instrumento que torna viável a operação das grandes corporações, e a parte que cuida de dinamizar estratégias capazes de escoar mercadorias no âmbito local e mundial, possibilitando eficiência dos setores de distribuição. Portanto, acompanhando in loco o fenômeno da globalização, a própria Logística se globaliza como forma de adequação à demanda do mundo moderno.

Outra carência de definição, que deve se furtar ao bom senso e à dedução simplista, refere-se aos tipos de transportes, que estão diretamente ligados aos modelos de planejamento e distribuição de mercadorias, impactando de forma substancial na formação do preço, na agilidade de colocação da mercadoria no mercado consumidor, e em aspectos de natureza temporal e de qualidade.

Em que pese sobre o transporte das mercadorias, outros fatores de ordem econômica e administrativa, igualmente as intempéries, problemas de cunho acidental, greves, problemas mecânicos e outros. São eles, contudo, que contribuem para que as propostas dentro do campo da Logística se concretizem. Deveriam ser informações de domínio.

Os desafios para a área de Logística atualmente são muitos e possuem muitas frentes. A preocupação é, inicialmente, e entre outras, termos uma formação mais consistente, efetiva e que ressalta aspectos voltados à necessidade de especialização de empresas e de funcionários bem como formadores acadêmicos que possam, do ponto de vista técnico, desenvolver competências avançadas para atuarem na área, quando de fato não enxergamos ou as companhias que requisitam não identificam.

Do ponto de vista de uma melhor interpretação em relação à dinâmica da Logística, se faz necessário entendê-la em sua estrutura, algo possível quando entendida uma classificação de suas atividades.

Não tem sido fácil caracterizar tal classificação, fechando-a num escopo, uma vez que os autores são dispersivos em suas ideias, apontando ora para determinados dados de conjuntos ora para outros, fazendo com que haja divergências.

Sendo tais fenômenos originários da nova configuração econômica do mundo, efeito da globalização, e da convergência em relação aos dispositivos de natureza tecnológica, que focam na quantidade e não na qualidade da formação.

Cabe aos profissionais buscarem elencar a academia em suas investidas, investigações ou ajustes em processos.

E aqueles de formação rasa, ou que queiram estar na nossa área só para fazer um bico, que se qualifiquem, ou dispersem e não contribuam com o afundamento de algo tão relevante como é a logística.

 

(1) Tal parecer não evoca uma pobreza no sentido da pesquisa em relação à Logística, já que uma diversidade de autores pesquisaram-na pelas mais diversas perspectivas. Lima (2004) cita, por exemplo, estudos como os de Ballou (1993), que a contempla por meio de uma divisão entre atividades primárias e atividades de apoio, além de dividi-la temporalmente em três fases, cada qual sob interferência de determinados fenômenos globais. Outro teórico citado pela autora é Bowersox (1974) e o conceito de Logística integrada; ou ainda Christopher (1997) que encara a Logística como elo de ligação entre o mercado e a atividade operacional da empresa. Outros autores são Lambert (1998), Ross (1998), Novaes (2001) etc.

 

Palmério Gusmão Palmério Gusmão

Professor no MBA de Comunicação & Marketing e Gestão Empresarial na Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo, SP. Palestrante e jornalista, exerceu diversos cargos em seus mais de 20 anos atuando no setor logístico. É colunista da Logweb desde 2007. Anteriormente, passou pela Rádio Paraty FM e foi repórter de TV na NGT. Aulas, consultorias e palestras: professorpalmerio@gmail.com.

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