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Conteúdo 22 de novembro de 2010

Rastreabilidade: ameaça ou oportunidade

Hoje deveríamos estar discutindo sobre o questionamento feito no meu último artigo que era “onde está o risco?”. Mas o momento pede atenção extra para outro tema que é a rastreabilidade de medicamentos. Então peço a licença para debater sobre este importante tema e na sequência continuar como planejado.

Fomos informados recentemente da publicação do decreto que regulamenta a implementação do controle de rastreabilidade para produtos farmacêuticos e veterinários desde a fábrica até chegar ao consumidor final. Normalmente este tipo de acontecimento gera uma grande inquietude e, desta vez, não foi diferente. Começamos a receber questionamentos e trocar informações sobre o tema logo após a publicação da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O teor dos questionamentos foi prioritariamente de dúvida e temor pelos custos e complexidade que deve envolver os projetos para adequar sistemas e equipamentos em toda cadeia produtiva.

Há pouco mais de um mês participei de seminário sobre a cadeia de valor na área de ciências da vida e, durante as apresentações, vários participantes foram bastante eloquentes em seu discurso sobre os benefícios do controle de rastreabilidade na área da saúde. Porém durante o painel de debates uma pergunta simples e lógica, porém desconcertante foi dirigida a mim: Se rastreabilidade é tão boa para consumidores, sistema de saúde público, hospitais, distribuidores, indústrias, farmácias e demais envolvidos na comercialização de medicamentos, por que tanta relutância em implementá-la?

Foi quando respondi que a meu ver não existiam grandes dificuldades, visto que estudos preliminares com participação de indústrias e distribuidores comprovaram sua aplicabilidade e que alguns laboratórios farmacêuticos já tinham previsto o investimento em equipamentos e tecnologia necessário em seus respectivos orçamentos para 2011.

Terminada minha explicação todos meus colegas de painel me fuzilaram. Pior: com suprema contradição, pois aqueles que elogiaram a implementação do controle de rastreabilidade anteriormente começaram a desfilar um rosário de argumentos absolutamente gastos como aumento de custos absurdo, impossibilidade de controle no varejo, impossibilidade de implementação para produtos importados, além de exemplificações como a de que tal companhia está preparada, mas o setor em geral não possui recursos, entre outros casos.

Com o máximo de respeito para com estas posições, permito-me discordar frontalmente de meus colegas, já que o controle de rastreabilidade será uma ferramenta vital para melhoria das condições dos sistemas de saúde em todo o país. Estimativas recentes apontam que os valores envolvidos na comercialização ilegal de medicamentos flutuam entre R$ 5 bilhões e 8 bilhões, ou seja, entre 15% e 24% do mercado legal. Isto apenas para o mercado farmacêutico, sem incluir os produtos veterinários. Sem nenhuma outra justificativa, estes valores já justificariam os investimentos necessários para eliminação desta danosa prática que coloca em risco a saúde de milhares de consumidores em todo o Brasil.

Mas não é só isto. A indústria da saúde de maneira geral oferece grandes oportunidades para implementação de processos de melhoria em toda a cadeia produtiva. A modernização de conceitos originada pelo entendimento da lógica envolvida nos novos sistemas de controle contribui significativamente para maior eficácia no processo produtivo.

Medidas simples como implementação do controle de paradas de máquina (praticamente todas indústrias controlam estes tempos), automação destes controles (muitas estão buscando adotar esta medida), gerenciamento eficaz da eficiência do ciclo de manufatura (todos conhecem esta metodologia) e gestão holística visando excelência operacional (que diabos está falando este articulista), seguramente aumentarão a rentabilidade da operação entre 30% e 50% em menos de um ano.

Assim o que parece algo desagradável pode ser um extraordinário catalisador de melhorias requeridas na cadeia de valor de todo sistema de saúde brasileiro. Então é hora de aproveitar a oportunidade e alavancar um real e eficiente processo de incremento de produtividade. Lembro mais uma vez: não é o grande que vence o pequeno, é o rápido que vence o lento. Hora de sermos rápidos. Gostaria ainda de agradecer a Ivan Milano por sua valiosa colaboração na escrita deste artigo.

 

 

Alejandro Montalbano Alejandro Montalbano

CEO da Diamond Passion and Excellence, especializada em estratégia de negócios. Conta com 34 anos de experiência em Quality Assurance, Gestão de Materiais, Gerência de Planta, Diretor Técnico de Operações, Gerente Regional de Vendas, Marketing e Vendas Business Unit Head (Brasil e América Latina) e, finalmente, foi o idealizador e executor do mais inovador modelo de cadeia de abastecimento regional: LASCO (LatAm Supply Chain Organization).

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