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Logística Setorial 9 de setembro de 2021

Embarcadores do setor de metalurgia e siderurgia: Com transporte próprio ou terceirizado, atenção total à carga

 

O importante é a segurança na movimentação, e para isto são utilizados equipamentos robustos e organização na estocagem para permitir agilidade. Ainda mais quando as empresas partem para a entrega rápida, inclusive em até 1h.

 

AçoTubo: Proposta de valor é entregar em até 24h produtos standard

A AçoTubo Indústria e Comércio optou pela primarização da mão de obra logística como diferencial competitivo, com sua frota própria atendendo regiões estratégicas e dando o dinamismo que o mercado impõe. “Constantemente geramos pesquisas de satisfação com nossos clientes e a Açotubo é reconhecida pela sua eficiência e rápido lead time nas entregas.”

Jose Nardi, gerente de Operações e Logística, também ressalta que a logística da empresa envolve um fluxo de aproximadamente 120 veículos carregados por dia, sendo 50 na frota própria. A operação de abastecimento das filiais é feita com transportadoras parceiras, sempre buscando otimização com circuitos de demais embarcadores. Além disso, há um volume importante de clientes atendidos com frete fracionado ou dedicado. “Usamos apenas o transporte rodoviário, em função do footprint e das características do produto.”

Com relação aos CDs, Nardi diz que na matriz em Guarulhos, SP, contam com uma área de 120.000 m². Além disso, a empresa tem filiais estrategicamente posicionadas em Sertãozinho, SP, Rio de Janeiro, RJ, Contagem, MG, Canoas, RS, Caxias do Sul, RS, e Curitiba, PR, próximos aos principais centros industriais do Brasil.

“Nosso diferencial competitivo é o fornecimento em qualquer quantidade para produtos standard com amplo estoque a pronta entrega em até 24h. É a única no segmento com vasto portfólio de bitolas/medidas, diâmetros e serviços.”

Nardi também destaca que, mediante estudo de viabilidade econômica e qualidade de serviço, seguem investindo em tecnologia e estrutura para otimização de tempo, espaço e segurança na movimentação dos produtos, seguindo o propósito de valorizar seu pessoal e atender bem seus clientes.

“A complexidade da nossa operação logística está nas dimensões dos nossos produtos, trabalhamos desde com pequenas peças, que demandam embalagens customizadas, até tubos, barras, bobinas e chapas que exigem ponte rolante na movimentação. Além desse universo de particularidades é preciso um robusto planejamento do SOP, contemplando as variáveis do abastecimento dos parceiros nacionais e internacionais e as condições mercadológicas da economia.”

A proposta de valor da empresa é entregar em até 24h produtos standard ou atender em até 1 hora os clientes que se propõem a fazer a coleta em suas unidades.

O gerente de Operações e Logística também aponta que foram inúmeros os investimentos realizados para se manterem competitivos e sólidos, como a implementação do MRP Sueco IFS como solução completa de gestão e renovação e modernização da frota com tecnologia Tracker de rastreamento. “Investimos em sistema de pesagem automatizada junto com a Confiantec e estamos implementando o controle de canhotos eletrônicos pelo APP Comprovei, que vai nos possibilitar o tracking das entregas em tempo real. Além disso, adotamos a solução do Power BI para construção de painéis de monitoramento online da performance da operação. E também foram realizados investimentos em máquinas e equipamentos modernos para corte de barras e chapas, gerando redução no tempo de atendimento e melhoria da qualidade.”

Como não poderia deixar de ser, Nardi também fala sobre os efeitos da pandemia, lembrando que ela trouxe grande instabilidade ao mercado do aço, mas, em função da estratégia logística e capacidade de armazenagem da empresa, conseguiram manter a excelência no atendimento e crescer em alguns canais importantes. “Fizemos investimentos estruturais que nos possibilitaram aumento de 30% na capacidade de armazenagem. Com a pandemia, definitivamente a logística foi apontada como diferencial competitivo no nosso mercado, os clientes cobram maior especialização em toda cadeia e nos adaptamos a isso com diferentes modelos de atendimento para cada segmento.”

O gerente de Operações e Logística também avalia que as mudanças trazidas pela pandemia vieram para ficar. “Com os investimentos realizados hoje estamos atendendo segmentos com grande potencial de crescimento.”

O Grupo da qual a AçoTubo faz parte contempla seis divisões: Tubos e Aços, Conexões, Trefilados, Aços Inoxidáveis, Soluções Integradas e Sistemas de Ancoragem/Incotep. Essa versatilidade capacita a Açotubo a atuar em diversos segmentos.

 

Böllhoff Brasil: Transportadora dedicada permite agilidade

A Böllhoff Brasil é especializada em tecnologia de fixação e sistemas de montagem para múltiplos setores, atendendo as principais montadoras de veículos leves, pesados e agrícolas no país, além das mais diversas indústrias.

Em termos de logística, o CEO da empresa, Flávio Silva, explica que contam com uma transportadora dedicada. “Acreditamos muito nos benefícios desta modalidade, para conseguirmos garantir uma boa performance de nossas entregas ao mercado. Poder contar com uma transportadora específica para a gestão logística mais burocrática agrega agilidade às nossas operações.”

Atualmente, a frota dedicada da empresa cumpre os itinerários das regiões Sul e Sudeste do Brasil. Para os demais estados brasileiros, é usado o transporte de cargas fracionadas. Em vários casos, por milk run. “Além do uso de transporte rodoviário, uma parcela representativa das nossas operações logísticas é realizada via transporte marítimo, especificamente para fins de exportação.”

Flávio também ressalta que, para agregar mais velocidade e eficiência às suas operações logísticas, a Böllhoff Brasil conta com um CD muito bem estruturado em Cachoeirinha, RS, atendendo às necessidades das principais indústrias e montadoras da região Sul do país.

Dificuldades – Falando sobre as maiores dificuldades logísticas enfrentadas pela empresa, o CEO da Böllhoff Brasil diz que identificaram que, principalmente por questões de custos, é uma tendência que o cliente final reduza os seus estoques, contando com uma melhor entrega e gestão de fornecedores. “Isto requer que tenhamos uma gestão do nosso estoque mais eficiente, além de estarmos sempre prontos para atender às demandas dos nossos clientes. É necessário um profundo conhecimento de toda a cadeia logística, para que seja possível identificar antecipadamente potenciais pontos de ruptura. Outro ponto é buscar a automação dos processos e o uso de ferramentas inovadoras para solucionar problemas específicos da cadeia de fornecimento.”

Já com relação aos diferenciais da logística da sua empresa, Flávio diz que, além dos produtos desenvolvidos e produzidos pela Böllhoff, incorporam outros fornecedores reconhecidos no mercado ao seu portfólio, para que os clientes possam concentrar as suas aquisições em um único local.

“Oferecemos um serviço de soluções para a cadeia de fornecimento chamado ECOSIT (Economic Supply in Time), por meio do qual assumimos a gestão de toda a cadeia de suprimentos de fixadores para os nossos clientes, incluindo planejamento das necessidades, aquisição, controle de qualidade, armazenamento, fornecimento e entrega de peças até a linha de produção. No Brasil, já temos este sistema implementado dentro de alguns clientes.”

Este serviço de soluções ECOSIT é um bom exemplo de adequação e inovação. Isto porque, ao identificar as maiores dificuldades dos seus clientes, a empresa atua na gestão de toda a sua cadeia de suprimentos de fixadores a partir do fornecimento de tecnologias da Böllhoff.

Flávio também lembra que o serviço de soluções ECOSIT conta com a tecnologia de radiofrequência (RFID) e de Smart bin – que consiste em um sistema para ajudar no controle de estoque através de uma balança instalada na prateleira e, a partir da oscilação de peso, é possível saber exatamente qual componente reabastecer e onde. Além de recursos de realidade virtual, com os quais conseguem prever a melhor rota de abastecimento do estoque dentro do cliente.

Com a pandemia, a Böllhoff passou a ficar muito mais atenta à gestão de matérias primas e sentiu que, mais do que nunca, os seus clientes precisavam contar com o seu apoio para atendê-los com agilidade e eficiência, de forma que a sua cadeia de suprimentos e produção não parasse.

“Particularmente, acredito e espero que algumas mudanças, como o alto preço do frete e a escassez de matérias primas, sejam passageiras, mas os aprendizados para superar os desafios que a pandemia nos trouxe vieram para ficar. Isso porque ao descobrirmos que podemos aperfeiçoar ainda mais o atendimento aos nossos clientes, com certeza manteremos o alto nível de atendimento e entrega que eles buscam.”

 

Ciser: Parceiros homologados garantem atendimentos avançados em regiões estratégicas

A Ciser, que tem um portfólio de 27 mil produtos divididos em mais de 500 linhas, para atender clientes em mais de 20 países, cobrindo diversos segmentos, como agronegócio, energia solar, moveleiro, metalmecânico, construção civil, estruturas metálicas, automotivo, linhas branca e marrom, petróleo e gás, eletrônica e varejo da construção civil, é outra empresa do setor que optou por transportadores terceirizados.

O maior volume é transportado pela Intercargo, empresa do Grupo H. Carlos Schneider, do qual a Ciser faz parte. Também fazem parte da sua rede de transportadoras terceirizadas a Transjoi, Transmagna, Expresso São Miguel, Princesa dos Campos e Azure Log, entre outras.

“Em nosso Centro de Distribuição as transportadoras que nos atendem coletam os produtos utilizando aproximadamente 25 caminhões. Após, elas consolidam as cargas em seus Centros de Distribuição e enviam nossos produtos para todo o Brasil. A Intercago transporta, em média, três carretas por dia para São Paulo. No estado paulista, uma frota de veículos menores (caminhões toco, vans e pick-ups) faz a entrega atendendo à legislação de São Paulo”, explica Marcelo Merkle, gerente de Logística e Suprimentos da Ciser.

Ele também diz que a empresa usa, eventualmente, a cabotagem para transferência de cargas de Joinville, SC, para outras regiões do Brasil. E que conta com um CD próprio de 20.000 m², localizado em Joinville, SC, e um cross docking na cidade de São Paulo.

Diferenciais – A Ciser atende seus clientes com base na confiabilidade e agilidade. Entrega mercadorias em um raio de 500 km a partir de Joinville praticamente em 24 a 36 horas. “Também temos um sistema de atendimento para retirada (local) e parceiros homologados para atendimentos avançados em regiões estratégicas. Para distâncias maiores temos um prazo de entrega combinado com cada transportadora e mantido nos últimos anos de 97%.

O gerente de Logística e Suprimentos também conta que, desde 1999, a Ciser utiliza o SAP como solução de ERP. Em 2006 foi implantado o WMS da SAP e, desde 2015, o TMS Embarcador. Além disso, está em curso investimentos para um novo CD com alto nível de automação, utilizando transelevadores e miniloads.

Merkle lembra, ainda, que atualmente alguns veículos da frota já são movidos a biodiesel. “Estamos também estudando a adoção de transporte com base em veículos que possam rodar a gás (GNV ou GNL). Também temos veículos em operações internas que usam baterias.”

Pandemia – Neste período de pandemia, as cargas movimentadas pela empresa se tornaram mais fracionadas. Os clientes também passaram a cobrar ainda mais agilidade e integralidade dos pedidos. “Agora também precisamos investir mais em ferramentas, para que o cliente possa acompanhar em tempo real a localização de seu pedido.”

Merkle completa dizendo que as mudanças trazidas pela pandemia vieram para ficar e devem ser ainda mais intensificadas com o crescimento das vendas online.

 

Brinox: Time de operação acompanha diariamente todas as cargas

Jaqueline Silvestri Buffon é analista de logística de distribuição nacional da Brinox Metalúrgica, empresa que conta com mais de três mil produtos em seu portfólio, como panelas, talheres, lixeiras, utensílios e utilidades em geral, e oferece itens em aço inox, alumínio, aço cromado, silicone, nylon, entre outros materiais. Está presente em todos os estados brasileiros e também no mercado internacional, exportando para países da América do Sul, América Central, América do Norte, África e Oriente Médio.

Em termos de logística, a Brinox usa apenas transportadoras terceirizadas. São usados, em média, 30 veículos por dia, somatório de embarques das suas expedições na matriz em Caxias do Sul, RS, filial Linhares, ES, e e-commerce no operador logístico em Serra, ES. O embarque dessas três unidades contempla envios para todos os estados do Brasil e também para outros países.

“Temos uma parceira aérea para o e-commerce e eventualmente usamos outras aéreas para envios das nossas unidades”, acrescenta Jaqueline.

Ela também comenta que a empresa conta com um CD na matriz, em Caxias do Sul, com 80.000 m² de área total e 41.000 m² de área construída. “Em 2020 ampliamos a nossa operação na região Sudeste e passamos a contar com um CD na filial Linhares com 94.000 m² de área total e 19.000 m² de área construída, além do e-commerce no Operador Logístico em Serra. Este CD está localizado no Serra Park e possui área de 100.000 m².”

Já no contexto das tecnologias utilizadas pela Brinox, Jaqueline cita o ERP, onde constam todas as informações logísticas em tempo real.

Sobre os maiores desafios enfrentados, a analista de logística de distribuição nacional da Brinox diz que é fazer o acompanhamento da carga para que ela chegue ao cliente íntegra e no prazo e horário prometidos. “Nosso time de operação acompanha diariamente todas as cargas. Além disso, temos uma parceria afinada com todos os parceiros logísticos, apresentando-lhes mensalmente a eficiência de cada um e buscando juntamente com eles melhorias e boas práticas de atendimento aos clientes.”

Ainda em termos de desafios, Jaqueline coloca a adaptação ao cenário da pandemia do Covid-19. Com as incertezas do momento e a adequação do planejamento da empresa, a área teve que se adaptar e mudar seu foco. Ao mesmo tempo em que a pandemia propiciou um rápido avanço na digitalização do trabalho, novas oportunidades surgiram como reflexo de um novo comportamento do consumidor. “Portanto, transformamos obstáculos em oportunidades de resolução ágil de problemas e crescimento. Estabelecemos o home office de toda a equipe de operações e fizemos um acompanhamento diário de decretos e fechamentos. O home office veio para ficar, claro que em formato híbrido, mas certamente o setor vai seguir com este formato, pois deu muito certo.”

 

 

SSAB: Chapa é o lote mínimo de venda

A SSAB é uma empresa siderúrgica nórdica com instalações de produção na Suécia, Finlândia e Estados Unidos. No Brasil, como SSAB Swedish Steel Comércio de Aço, opera através da importação e distribuição de aços desde 2003.

A linha de aços comercializados envolve: Strenx – aço estrutural de alta resistência, que permite um design inovador de estruturas avançadas de sustentação de carga; Hardox – aço resistente ao desgaste com excelente dureza e resistência à abrasão; Docol – aço automotivo com uma faixa de resistência à tração que inclui aços avançados de alta resistência – AHSS – e aços de resistência ultra-alta – UHSS; Toolox – segundo a empresa, concebido para ser o aço mais versátil do mercado para a fabricação em alta velocidade de peças e de máquinas, moldes e matrizes; e o Armox – aço de blindagem, para a proteção de pessoas e propriedades em ambientes perigosos.

“Utilizamos transportadoras terceirizadas que cobrem as diversas atividades que necessitamos, como coleta e retorno de contêineres aos portos, coleta de produtos que chegam em carga projeto (break bulk) nos portos, movimentação para industrializadores e o transporte aos clientes finais. A principal razão da terceirização é a demanda cada vez maior em especialização e foco, onde as empresas de transporte estão em desenvolvimento contínuo de know how, de gestão e na atualização das ferramentas de apoio e, para nós da SSAB, fica o gerenciamento dos mais diversos atores do processo para alcançar os objetivos dos clientes.”

A explicação é do gerente de Operações e Supply Chain da SSAB, Eugênio de Sá Libório. Ele também ressalta que utilizam diariamente 30 veículos, que realizam 36 viagens para a entrega do aço aos clientes, para os deslocamentos dos contêineres carregados e vazios entre os portos e o ponto de desova e dos materiais retirados dos contêineres para os pontos de estocagem. Para o abastecimento do estoque, a empresa utiliza os Portos Itapoá, Navegantes e São Francisco do Sul e os seus clientes estão em variadas cidades do Brasil, com predominância na Região Sul e Sudeste, maiores consumidores de aço no País.

“Nossa operação é de importação e distribuição de aços especiais, na qual empregamos o modal marítimo para o transporte da importação, enquanto na distribuição fazemos uso do modal rodoviário, ainda de modo exclusivo. Nossos produtos normalmente têm dimensões significativas e, sendo uma chapa o nosso lote mínimo de venda, garantimos que o manuseio desta chapa seja adequado para uma operação segura até os nossos clientes.”

Eugênio também revela que a SSAB opera em armazém próprio localizado de forma estratégica em Araquari, SC, próximo aos principais portos de importação de aço do Brasil e a apenas, através de transporte rodoviário, um dia de viagem dos principais centros consumidores. “Nosso armazém tem capacidade para estocar 20.000 t, entre chapas, bobinas, barras e tubos, e apresenta área total de 10.000 m², sendo 6.000 m² cobertos. Ainda contamos com a operação de redespacho e coleta agendada na cidade de Guarulhos, SP, em operação conjunta com a Transportadora Logna.”

Desafios – Sobre os maiores desafios logísticos enfrentados pela empresa, o gerente de Operações e Supply Chain diz que, como na maioria das operações logísticas, enfrentam os desafios de realizar as entregas no prazo combinado e com custos competitivos. “Como temos aumentado o número de clientes atendidos e esta é uma tendência cada vez mais forte, pois alinhado com a nossa estratégia de desenvolver o mercado para aços especiais e estabelecer parcerias que agreguem valor e possibilitem o crescimento do negócio do cliente, manteremos como lote mínimo uma chapa.  O desafio de manter os serviços em níveis elevados de excelência exige melhores ferramentas e gerenciamento mais eficiente. Precisamos destacar que os serviços na logística incluem, de maneira fundamental, o compartilhamento de informações com atualizações sistemáticas.”

A SSAB trabalha forte nas roteirizações e alternativas para manter elevado o uso da capacidade contratada. Atualmente estão conseguindo 96% de utilização das cargas executadas, muito pela intensa colaboração entre os transportadores e as equipes da SSAB que cuidam da Logística, de Vendas e do Financeiro. “Em 2020, realizamos investimento para concentrarmos todo o time operacional junto ao nosso depósito, aumentando a velocidade de resposta das nossas decisões e, através de ferramentas online de compartilhamento de informações com os transportadores externos, estamos obtendo assertividade nos indicadores e satisfação dos clientes, sejam eles consolidados ou em primeira compra.”

Falando sobre os diferenciais da logística da sua empresa, em relação à de outros setores, Eugênio elege dois. O primeiro é que os produtos que manuseiam têm alta densidade e grandes dimensões, exigindo equipamentos robustos para as movimentações e muita organização na estocagem para permitir agilidade, principalmente, nos carregamentos. “Se a comparação de método e estrutura logística for realizada dentro do mesmo setor que atuamos, o gerenciamento logístico que empregamos colocam-nos nos mais elevados patamares de eficiência.”

O outro diferencial é o diálogo estreito com o cliente, pois os descarregamentos, que diversas vezes são realizados em locais remotos, exigem integração máxima dos recursos, dado que fazem o atendimento de carga inteiras até apenas uma chapa.

O gerente de Operações e Supply Chain também aponta que fazem a importação dos produtos SSAB direto da usina, sem importar o tamanho da necessidade do cliente. Seria o equivalente ao cliente adquirir um produto de uma usina siderúrgica com lote mínimo de uma chapa. “A logística da SSAB no Brasil está em constante evolução para fazer o planejamento e o acompanhamento de uma necessidade do cliente desde a identificação desta necessidade até a entrega do produto.”

Eugênio também revela que o mercado de aços especiais está em momento de desenvolvimento, onde muitos projetos nas mais diversas áreas tornam-se realidade a cada instante. Desta forma, os clientes potenciais fazem a experimentação dos produtos e, confirmado o sucesso, iniciam as demandas que normalmente são pequenas em seus primeiros pedidos. A logística da SSAB está alinhada com este mecanismo e tem se preparado para corresponder.

São cargas cada vez mais complexas e com maior número de entregas em sua composição, onde cada cliente precisa ter suas condições estruturais atendidas e o tempo para execução do trajeto deve ser compatível com as datas contratadas. Sendo um trabalho em conjunto, o máximo de variáveis foi coletado entre Vendas, transportadoras e clientes, onde as regras ficaram mais claras, os meios de informação foram alterados e as estruturas foram ampliadas ou ajustadas. “Com as mudanças no processo, estamos aptos a atender as demandas cada vez mais fragmentadas e dispersas, com serviço de informação e entrega de nível continuamente melhor.”

Tecnologia – As operações da SSAB são baseadas em ERPs da SAP para gerenciamento da programação das importações, da gestão dos pedidos dos clientes e das finanças do negócio, que funcionam integrados em nível mundial. Foram desenvolvidas e aperfeiçoadas ferramentas, seja internamente ou em cooperação com os parceiros, para acompanhamento e gestão desde a produção do item na origem (países nórdicos ou Estados Unidos), o embarque marítimo internacional, os processos de nacionalização, a disponibilidade para expedição local, até a contabilidade. Alguns sistemas de suporte compartilhados através da Internet estão presentes, facilitando as decisões e as intervenções necessárias, sempre almejando atender os prazos programados com os clientes.

Pandemia – Eugênio diz que perceberam uma maior integração dos times com as restrições impostas pela pandemia. O trabalho remoto foi prontamente adotado e acreditam que veio para ficar. Algumas atividades foram redesenhadas, mantendo a produtividade e acuracidade.

“Como fazemos parte da cadeia de suprimento de diversos setores classificados como essenciais, cuidamos para manter os requisitos em dia, incluindo treinamentos realizados on-line e suporte técnico às atividades físicas e mantivemos firmes os volumes programados pelos clientes e conseguimos atender demandas no segundo semestre de 2020 e início de 2021 que, a princípio, pareciam impossíveis de acontecer. Fizemos valer o objetivo de disponibilizar estoque local em quantidade para atender as demandas planejadas dos clientes, mesmo tratando-se de produto importado.”

O gerente de Operações e Supply Chain também enfatiza que a pandemia provocou uma retomada vigorosa no transporte internacional que gerou escassez de contêineres, de espaços nos navios e de tarifas crescentes e, caso não tivessem o olhar para relacionamentos comerciais de longo prazo, os compromissos com os clientes dificilmente seriam atendidos.

Fianalizando, Eugênio aponta que as mudanças impostas pela pandemia vieram para ficar. “Conseguimos estabelecer um ritmo de trabalho que, mesclando atividades presenciais e remotas, nos garantem agilidade e flexibilidade suficientes para encararmos os desafios com maior capacidade de adaptação.”

 

ZF América do Sul: Sistema RFID no setor de reposição automotiva é novidade

Na região da América do Sul, a ZF possui três Centros de Distribuição atrelados ao seu negócio no mercado de reposição, a ZF Aftermarket. “Temos um em Buenos Aires, Argentina, e outro em Cáli, na Colômbia. O principal CD está localizado em Itu, interior de São Paulo, com 21.000 m². Com a aquisição da Wabco também possuímos agora um CD em Campinas, SP, com 1.700 m².”

Daniela Beltrame, diretora de Logística da ZF América do Sul, também diz que a empresa se utiliza de transportadoras terceirizadas, como a Cargolift (OEM – Montadoras), Pacifico, Tecmar e TNT (Aftermarket), entre outras. “Trabalhamos com diversos parceiros, pois cada um tem know how e expertise específicas nas particularidades dos nossos negócios.”

Daniela conta que a maior operação de transportes da empresa está em seus CDs, com mais de 45 mil notas fiscais de envio de itens ao mercado de reposição por ano, uma média de 30 mil toneladas distribuídas para todo o Brasil. Para contêineres, a empresa conta mais de 2.500 unidades/ano, que precisam ser transportadas dos portos até as fábricas. E, além do transporte rodoviário, a depender da carga e da eficiência esperada, a empresa utiliza, em volume reduzido, o frete aéreo e marítimo (nas operações de importação e exportação).

Desafios – A infraestrutura é um dos maiores gargalos que o Brasil enfrenta quando o assunto é logística, todos sabem disto. A falta de boas estradas para as transportadoras, carência de estrutura das vias para os caminhões e a falta de segurança prejudicam muito todos os processos logísticos.

Temos também que notar que, historicamente, o Brasil priorizou a malha viária, muitas vezes em detrimento da ferroviária, ou hidroviária, por exemplo, minoria no Brasil e de uso em apenas algumas regiões. Isso significa que não possuímos tanta flexibilidade de modais.

“Diante dessa situação, 60% do transporte de cargas do Brasil fica concentrado no modal rodoviário. Certamente, se pudéssemos contar com a rapidez de outros modais, teríamos ainda maior rapidez nos processos”, diz Daniela, se posicionando sobre os desafios logísticos enfrentados. Para ela, tecnologia e investimentos em infraestrutura são as melhores saídas para contornar esses problemas estruturais.

Em termos da ZF, ela lembra que têm hoje uma abordagem logística que envolve inteligência no transporte. “Com a logística sustentável conseguimos alcançar metas de qualidade e estimular o crescimento do negócio, sem abrir mão da economia de recursos e da redução de impactos ao meio ambiente. Para isso realizamos estudos, fazemos muitos planejamentos e traçamos estratégias que visam à implementação da consciência ambiental nos processos internos, bem como no comportamento dos colaboradores e que impactem diretamente na operação final.”

A ZF também estabeleceu a necessidade de toda a logística inbound ser dotada de algumas tecnologias, através de veículos híbridos, elétricos ou adequadas a nível EURO6. Isso tem sido implementado de forma gradativa, em parceria com os Operadores Logísticos. “Além disso, temos identificado constantemente oportunidades de otimização de frete, por exemplo, de forma a reduzir nossa pegada de carbono.”

A diretora de Logística da ZF América do Sul também lembra que trabalham com softwares de roteirização, que permitem redução de custos operacionais logísticos ligados às rotas, melhorando tempo de entrega e distância e, consequentemente, diminuindo o consumo de combustível.

“Junto com nossos transportadores, por exemplo, chegamos também a um consenso sobre a escolha dos melhores implementos/carrocerias. Com isso adotamos alguns caminhões com maior quantidade de eixos – os chamados bitrens – nas operações de São Bernardo e Araraquara, que conseguem levar mais carga em apenas uma viagem. Somente a operação logística da ZF na cidade de Limeira, que é representativa para a região, conta com 12 caminhões dedicados.”

A ZF trabalha continuamente na melhoria de seus processos e a logística faz parte disso. A excelência de seus produtos só se traduz a partir do momento que esse produto chega até o cliente no tempo que ele precisa. “A adoção de processos cada vez mais digitalizados e investimentos contínuos em automação estão cada vez mais presentes dentro de nossos CDs. Por outro lado, é preciso também considerar uma frota moderna de caminhões, que possam carregar mais em menor tempo possível. Daí a importância de trabalhar com transportadoras responsáveis e que tenham seu selo de qualidade atestado. Tudo isso para fazer com que o cliente fique satisfeito, mas que a operação seja eficiente e responsável social e financeiramente, além de sustentável.”

Tecnologias – Falando especificamente das tecnologias utilizadas, Daniela explica que no CD de Itu, a ZF Aftermarket utiliza o sistema RFID, que permite identificação praticamente instantânea na entrada de produtos, além de rastreamento dos produtos identificados ao longo de toda a cadeia de reposição de peças. “A ZF Aftermarket é a única a utilizar o sistema RFID no setor de reposição automotiva no Brasil e primeira dentre as operações da ZF Aftermarket no mundo.”

Além disso, a empresa usa a solução Vendor Managed Inventory (VMI) que, associada ao Robotic Process Automation (RPA), eleva os padrões logísticos e compartilha os mesmos recursos de inteligência de mercado e tecnologias com os clientes.

Associado com a adoção de outros processos de automação e digitalização, a ZF registrou um aumento de 18% de produtividade nas operações do Centro de Distribuição e a perspectiva é de aumentar esse percentual gradativamente.

As demais operações da ZF também trabalham de forma 100% automatizada, enviando e recebendo os pedidos aos clientes e fornecedores via EDI (Electronic Data Interchange). E realizam o processamento das ordens e o planejamento da produção no SAP através do APS (Advanced Production System).

O Recebimento e a Expedição de materiais são feitos através de leituras de códigos de barra (etiquetas padrão Global ODETTE). Já o Faturamento é feito eletronicamente (NFe), com envio automático de XML e ASN (Advanced Shipping Notice), ou seja, não há mais papel no processo de planejamento de pedidos (OFP Order Fulfilment Process).

A pandemia também levou ao uso de outras tecnologias. Como a preocupação com a segurança dos colaboradores e prestadores de serviços aumentou, os processos de digitalização, que já eram uma realidade crescente no setor de logística, ganharam força ainda maior após o início desse período.

“Além disso, o desafio de gerenciar nossas equipes e operações à distância (home office) foi uma quebra de paradigma para a logística, que conseguiu, através de novas ferramentas, como Teams e Witheboard, manter a produtividade e objetividade das reuniões e atividades fabris. Esse modelo híbrido de trabalho será realmente uma tendência para o setor de logística também. Além do Teams e do Whiteboard, a ferramenta Planner também ajuda muito no gerenciamento dos times à distância.”

Daniela diz que a pandemia trouxe grandes aprendizados para todos os setores da economia. Na logística isso não foi diferente, pois se trata de uma atividade que teve que continuar funcionando, mesmo com todas as restrições causadas pela Covid-19. “Certamente são mudanças que vieram para ficar, em sua maioria.”

Uma produção diversificada – Veja a seguir o tamanho da ZF América do Sul.

  • Sorocaba, SP – São duas plantas que compõem o complexo da ZF na cidade. Nelas são produzidas transmissões para veículos comerciais, eixos para maquinários agrícolas e de construção, componentes e sistemas de chassis para veículos leves e pesados.
  • São Bernardo do Campo, SP – Produção de componentes e revestimento de embreagens.
  • Araraquara, SP – Produção de conjuntos de embreagens para veículos leves e comerciais, além de operação de remanufatura.
  • Engenheiro Coelho, SP – Fabricação de sistemas de freios, com operação de fundição.
  • Limeira, SP – Produção de sistemas de freios (atuadores, módulos ABS, caliper, freio a tambor), direções, eletrônicos para segurança e sistemas de segurança passiva (airbags, volantes, cintos).
  • Sumaré, SP – Sistemas eletrônicos e soluções para freios para veículos comerciais, além de kits de reparo.
  • San Francisco, na Argentina – Produção de amortecedores para veículos comerciais e veículos leves.
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