Facebook Twitter Linkedin Instagram Youtube telegram
Capa 25 de junho de 2018

Novas tecnologias prometem reduzir custos e melhorar o gerenciamento da logística na cadeia do frio

Além de tendências tecnológicas, entrevistados falam sobre fiscalização no setor, embalagens, galpões especiais, como escolher o parceiro ideal e, ainda, relatam cases de sucesso para inspirar os leitores.

om produtos de validade curta – como carnes, medicamentos e insumos biológicos – a cadeia do frio persegue o erro zero, já que qualquer falha no processo pode estragar o que está sendo transportado ou armazenado. A busca por uma gestão eficiente encontra ainda mais soluções com as novas tecnologias dentro do segmento. “Alguns estudos mostram que erros na logística e gestão são responsáveis por 87% dos casos em que há perda de qualidade dos produtos refrigerados. Por isso, sistemas inteligentes de gestão, equipamento de controle e alta tecnologia estão sendo usados cada vez mais para reduzir custos e melhorar o gerenciamento”, explica Fábio Fonseca Filho, presidente da Friozem (Fone: 11 4789.8200).
A preocupação não é para menos. No trajeto de um alimento refrigerado – como um pacote de carne – desde o processamento até a gôndola do supermercado, passando por vários pontos de transbordo, fracionamento e composição de carga, é possível compreender os tipos de perda de qualidade devidos à falta de manutenção da temperatura adequada. O mesmo risco atinge a indústria farmacêutica, que processa e movimenta medicamentos termolábeis (vacinas, hormônios e drogas sensíveis às mudanças de temperatura).
Soma-se a isso o cenário econômico, a busca por uma gestão mais assertiva e a utilização de novas tecnologias para operações sob controle. “As empresas que não perceberam que investir em altos níveis tecnológicos se tornou vital não conseguem nem participar de concorrências dos clientes”, diz Fonseca.

Diferenciais
Para oferecer a melhor experiência para os parceiros, os Operadores Logísticos devem ter cuidado especial com esse tipo de mercadoria, se reinventando sempre para garantir competitividade. “Na Friozem temos inúmeros equipamentos novos que já renderam uma expressiva redução nos curtos fixos, como lâmpadas de LED, coletores de dados, voice picking e RFIDs, que garantem a adequação das condições térmicas de uma carga ao longo da cadeia do frio”, diz Fonseca.
Segundo ele, a tecnologia RFID apresenta resultados interessantes na cadeia do frio, pois permite monitorar cargas, identificar, rastrear e gerenciar desde produtos e documentos até animais ou indivíduos, sem contato, nem a necessidade de um campo visual. Os frigoríficos podem utilizar a etiqueta RFID para monitorar a temperatura dos produtos perecíveis durante a entrega e assegurar que estejam em perfeitas condições de consumo. A integração de processos de rastreamento de cargas via RFID com sistemas de gestão de armazéns WMS já é realidade em empresas de grande porte.
Outras ferramentas usadas atualmente, ainda citadas por Fonseca, são os sistemas de automação frigorífica. “Softwares que são interligados com o sistema de refrigeração e fornecem dados e histórico de consumo possibilitam também que a operação da casa de máquinas seja feita à distância e por computador”, explica.
Outro Operador Logístico que atua no segmento é a LogFrio (Fone: 11 2175.7100), que possui câmaras equipadas com o mais avançado sistema de refrigeração industrial, por amônia, que é controlado online 24 horas por dia. O sistema, operado por equipes altamente treinadas, permite que cada câmara esteja na temperatura mais adequada para o produto que irá armazenar.
Alfredo Gonçalves, CEO; Ailton Souza, gerente de armazém; e Mauro Altobelli, gerente financeiro, explicam que o transporte ocorre em baús com motores de refrigeração, paredes de poliuretano e divisórias internas, que possibilitam o transporte de produtos congelados, refrigerados e secos, sem que percam suas características e temperaturas ideais.
Já a UniHealth Logística Hospitalar (Fone: 11 3555.5800) mantém câmaras frias com controles eletrônicos de temperatura do ambiente que alertam por alarme sonoro e envio de mensagem de texto (SMS e WhatsApp) e e-mail aos responsáveis no caso de qualquer modificação fora do intervalo de 2°C a 8°C.
“Mantemos antecâmaras para recebimento e acondicionamento de produtos refrigerados. No transporte, o procedimento depende de quanto tempo o produto vai ficar fora do ambiente de temperatura controlada. Para longos períodos, usamos equipamentos térmicos ou isotérmicos. Para curtos, podemos utilizar veículos comuns com os produtos embalados em caixas de isopor e gelo seco”, explica Mayuli Fonseca, diretora de novos negócios.
Segundo ela, é importante que qualquer meio utilizado tenha marcadores gráficos de temperatura, que possam comprovar a temperatura dos produtos quando chegam ao destino.

Inovações
O constante aprimoramento tecnológico também afeta as atividades no setor. Segundo os profissionais da LogFrio, há inovações em softwares de gestão (TMS/WMS) para melhorar a rastreabilidade dos produtos, desde sua origem, passando pela armazenagem, até sua distribuição final, o que garante a qualidade das soluções ofertadas. “Nós também utilizamos aplicativos que permitem o monitoramento de frota e agilizam a baixa dos produtos entregues. Assim, o cliente sabe exatamente a situação do estoque e das entregas em tempo real”, relatam Gonçalves, Souza e Altobelli.
Especialmente na logística hospitalar, o que tem sido um fato novo, como conta Mayuli, da UniHealth, é o uso intensivo de equipamentos de automação e de robôs, integrados em rede, gerando resultados expressivos nos volumes produzidos, além de possibilitar uma visão global de todos os processos.
No que diz respeito aos termolábeis, a profissional ressalta que existem dispensários que mantém – com monitoramento constante – os produtos refrigerados, como o Unibox, utilizado pela empresa.
Outra inovação citada por Mayuli envolve os aparelhos de medição de temperatura com transmissão em tempo real via rede ou Bluetooth das temperaturas, com alertas imediatos de intercorrências.
Além de tecnologias mais complexas, os Operadores Logísticos aplicam ferramentas mais simples, porém eficientes, como inversores de frequência, que são aparelhos que controlam a potência do motor no compressor. “Quando o ambiente atinge uma temperatura de -20 °C, o inversor reduz a potência do motor, economizando energia elétrica”, exemplifica Fonseca Filho, da Friozem.
A água, outro insumo bastante importante (e caro) utilizado nas operações frigorificadas, também recebe uma vantagem tecnológica. “Existe no mercado um condensador evaporativo dry cooler que não utiliza água para resfriar a amônia utilizada no processo de refrigeração. Um equipamento deste tipo economiza 2 mil litros de água por hora a cada 1 milhão de quilocalorias.”

Gestão das tecnologias
Para que haja sucesso na gestão dessas tecnologias, Gonçalves, Souza e Altobelli, da LogFrio, dizem que é preciso investir intensamente no treinamento e na qualificação dos colaboradores e facilitadores da empresa. “É necessário que todos compreendam a importância e a usabilidade das tecnologias para que elas sejam aplicadas e utilizadas de maneira eficiente.”
Mayuli, da UniHealth, concorda que a maior dificuldade é a aderência da equipe técnica ao seu uso. “Esse é o grande desafio da gestão para que sejam alcançados os resultados esperados.”
Com a utilização de tecnologias e automação, espera-se que as instituições de saúde, por exemplo, aumentem os níveis de controle no uso e na aquisição de materiais médicos hospitalares, medicamento e outros insumos, reduzindo custo sem perda de qualidade na segurança dos pacientes. Além disso, oferecem um suporte maior e melhor para as tomadas de decisão nas atividades do dia a dia, conforme opina Mayuli. “Os dispensários refrigerados evitam a má armazenagem nos postos de enfermagem, aumentam o nível de serviço oferecido e diminuem a perda de produtos por mau acondicionamento”, cita.

Fiscalização
Vale lembrar que o transporte, o manuseio e a armazenagem de produtos farmacêuticos e insumos para saúde no Brasil estão sobre ordenamento e controle da Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que repassa parte dessas atividades de fiscalização aos congêneres estaduais e municipais.
“A fiscalização é feita por técnicos com conhecimento profundo das normas através de vistorias periódicas surpresas às empresas. A partir daí, são gerados relatórios de conformidades, inconformidades e pontos de atenção que servem para manter as companhias adequadas à regulamentação”, detalha Mayuli, da UniHealth.
Fonseca Filho, da Friozem, diz que a companhia é normalmente fiscalizada pelo SIF – Serviço de Inspeção Federal, pela Anvisa e, em termos de veículos, pela ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. “Também precisamos seguir todo o processo de garantia de cargas, como a utilização de termógrafos que meçam a temperatura dos produtos em todo o trajeto da entrega”, detalha. Apesar disso, ele considera que o Brasil ainda está no tempo da pedra quando se fala em transporte de carga fria.
Por sua vez, os profissionais da LogFrio ressaltam que a fiscalização também é feita pelos próprios clientes, pois eles necessitam de evidências que comprovem o atendimento da legislação vigente.
Gonçalves, Souza e Altobelli analisam que este é um mercado com exigências e custos crescentes (combustível e pedágio, somados à carência em infraestrutura das rodovias), mas que nem sempre é remunerado de acordo. “Além disso, também é carente de Operadores Logísticos responsáveis e que saibam utilizar eficientemente as ferramentas disponíveis.” Eles acrescentam que, no entanto, há grandes possibilidades de crescimento e desenvolvimento do segmento de perecíveis para esse e os próximos anos.

Embalagens
Para a boa prestação de serviço, as embalagens são fundamentais, tanto na armazenagem, quanto no transporte. De acordo com Gonçalves, Souza e Altobelli, da LogFrio, elas devem resistir ao empilhamento, às baixas temperaturas, bem como à movimentação de carga no transporte. “É, portanto, um item crítico e que merece atenção.”
Mayuli, da UniHealth, acrescenta que elas devem ser aprovadas pela Anvisa, que tem vasta normatização neste assunto e não deixa margem para dúvidas. “A embalagem tem função de proteger os produtos, em suas várias etapas e processos, assim, as especificidades devem ser as que melhor garantam esse objetivo. As embalagens podem variar de acordo com o tempo de acondicionamento necessário e o tipo de transporte a ser utilizado”, expõe.
No entanto, segundo Fonseca Filho, da Friozem, ainda há muito o que melhorar com relação a este assunto, principalmente no que se refere à qualidade das caixas de papelão.
Para as entregas de perecíveis de forma geral, a maioria dos fornecedores já possui embalagens secundárias (normalmente de papelão), atendendo às especificações de pesos, formatação do palete e condições de armazenagem, além das embalagens primárias, que geralmente são usadas com revestimento plástico para os itens. “No caso dos produtos hortifrutigranjeiros, utiliza-se normalmente caixas plásticas retornáveis e também de papelão. Importante salientar que as retornáveis de material plástico precisam passar por rígido processo de higienização antes da sua reutilização pelos fornecedores”, expõe Fonseca Filho.

Escolhendo a fornecedora
Nossos entrevistados dão dicas sobre como escolher a fornecedora ideal de soluções e serviços para a logística da cadeia fria. Gonçalves, Souza e Altobelli, da LogFrio, dizem que quesitos como localização, estrutura de armazenagem, condições das instalações, mão de obra qualificada, tecnologia utilizada e condições da frota são fundamentais nessa seleção.
No entanto, segundo eles, é ainda mais importante perceber se o Operador Logístico em potencial entende o negócio da empresa e se tem a capacidade de atender de maneira eficiente às demandas. “Nesse mercado, o know-how é indispensável. É preciso encontrar parceiros especializados e que garantam altos níveis de excelência no ciclo logístico”, ressaltam.
Além de verificar se a empresa possui as certificações e os atestados dos órgãos de controle, Mayuli, da UniHealth, considera primordiais a visita in loco a projetos já executados e a realização de reuniões de avaliação de qualidade e expectativas com os clientes das companhias pretendidas.
O primeiro passo, na opinião de Fonseca Filho, da Friozem, é conhecer o know-how das empresas no processo que se pretende implantar. Isso deverá garantir que o investimento tenha retorno dentro do lead time esperado e que não haja surpresas negativas quanto ao nível de serviço prestado.
“Sobre armazéns logísticos, é necessário pensar na localização, pois os fornecedores devem estar em regiões metropolitanas próximas da capital e em boas rodovias. O tamanho da estrutura também é muito importante, pois é preciso escala”, destaca.

Na prática
A seguir, os entrevistados contam cases de sucesso para demonstrar operações complexas que tiveram grandes resultados com processos logísticos adequados.
Atuando no mercado de varejo, lácteos e food service, a LogFrio movimenta mais de 1.500 toneladas/dia, resultando em mais de 3.000 entregas/dia, com um nível de assertividade de 99,8%, considerando alto número de SKU´s, que, consequentemente, aumenta a complexidade das operações.
Atendendo à demanda de um grande cliente do segmento de cozinhas industriais, a Unidade Rio de Janeiro foi responsável pelo abastecimento da Vila dos Atletas, nas Olímpiadas do Rio 2016. A empresa garantiu a alimentação dos 17.200 “moradores”, além dos 13.000 profissionais que circularam pelo complexo durante as competições, fornecendo em média 100 toneladas de alimentos por dia.
Já Mayuli, da UniHealth, cita o case de uma grande rede hospitalar, cuja gestão da cadeia de abastecimento dos produtos termolábeis é feita pela empresa. No recebimento, imediatamente após o descarregamento do caminhão, a embalagem é aberta e a temperatura é medida por pistolas térmicas de infravermelho. Caso esteja fora do intervalo de 2°C a 8°C, o medicamento não é recebido e é feito relatório de inconformidade para o cliente.
Se o produto estiver dentro do padrão, é imediatamente transferido para a antecâmara para contagem, separação por lote e verificação da integridade física das embalagens. Se tudo estiver de acordo com a ordem de compra, seguem os processos de recebimento da nota, emissão das etiquetas de QR (datamatrix) dos produtos e etiquetagem.
Imediatamente o sistema indica posição automática dentro da câmara fria para alocação de cada lote separadamente. Os coletores de dados facilitam a conferência e a baixa no sistema. Então, os produtos são colocados nas embalagens termolábeis com seus respectivos complementos (gelox e monitor de temperatura Bluetooth). Elas são levadas para a antecâmara para a segunda transferência e a finalização da embalagem.
No caso de abastecimento das farmácias hospitalares, os produtos são transferidos ao local e novamente são monitoradas as temperaturas com pistolas térmicas de infravermelho. Para os produtos em conformidade, são disponibilizadas posições de estoque de acordo com as características e, então, são imediatamente alocados nas geladeiras.
Mayuli conta que a dispensação aos pacientes é realizada mediante prescrição médica, somente no momento exato da administração, e o medicamento é enviado às enfermarias em embalagens de isopor por paciente para manutenção da temperatura.
Por sua vez, Fonseca Filho compartilha o case de um cliente da Friozem que operava com centralização de hortifruti em depósito seco, com variação de temperatura entre 27ºC e 36ºC. Segundo ele, a qualidade dos produtos era comprometida pela alta temperatura do depósito. Os itens que chegavam, sendo cross-docking ou estocados, permaneciam no local por um período de mais de 24h, até sua expedição para as lojas. Dentre os que ficavam em estoque, estavam melões, melancias, laranja, batatas e coco, além dos refrigerados, como maçã, pêssego e uvas. “Todos eles eram, por fim, embarcados em veículos secos e sofriam muito com a questão da temperatura”, conta.
Para melhor exemplificar os ganhos com a centralização em ambiente refrigerado, Fonseca Filho expõe alguns dados após seis meses de operação.

tabela_p9

Estrutura
A LogFrio possui cinco Centros de Distribuição, sendo dois em São Paulo e os demais nas cidades de Duque de Caxias, RJ, Recife, PE, e Fortaleza, CE. Quatro dos CD’s são direcionados a produtos perecíveis, contando com câmaras reversíveis, construídas com isopainel e estruturadas com portapaletes e drive-in, além de um CD de secos, também estruturado com portapaletes. Os de perecíveis contam com equipamentos de refrigeração compostos por bombas de amônia, compressores, evaporadores, entre outros, além de termômetros e demais equipamentos para monitoramento de temperatura. Todos são equipados com portapaletes, drive-in, empilhadeiras, transpaleteiras elétricas e RFID.
A UniHealth tem atualmente 12 Centros de Distribuição, internos e externos nas operações brasileiras, todos equipados para atender às normas de “Boas Práticas da Anvisa” e auditados frequentemente pelos órgãos de controle.
No que diz respeito ao controle de temperaturas, Mayuli diz que todos têm climatização para medicamentos, câmaras frias para medicamentos refrigerados e controle de temperatura em todos os ambientes via monitoramento eletrônico por Wi-Fi com integração direta ao sistema proprietário da empresa, o UnilogWF. “As câmaras frias têm estruturas de armazenagem em aços, paletes de plástico e alocação sistêmica automática randômica com controle de lote, validade e temperatura para produtos cadastrados como termolábeis”, explica.
A Friozem atua no Paraná e no Rio Grande do Sul em dois armazéns da Capital Realty (Fone: 41 2169.6850), empresa que desenvolve e faz a gestão de condomínios logísticos nos três estados do Sul e também em São Paulo.
Os armazéns foram construídos para atender exclusivamente as demandas da empresa e apresentam pisos duplos capazes de suportar temperaturas muito baixas (-40° C, por exemplo), estrutura metálica mais robusta para suportar pesos maiores, tubulações apropriadas para o frio, entre outras características preparadas para este tipo de armazenagem.
O armazém do Paraná, localizado na região metropolitana de Curitiba, oferece inteligência logística em armazenagem frigorificada e seca, distribuição e transporte rodoviário, com uma área construída de 18.000 m². Já em Esteio, região metropolitana do Rio Grande do Sul, o armazém tem aproximadamente 20.555 m² de área construída e fica na BR-116, a apenas 17 quilômetros de Porto Alegre. Atualmente a Friozem tem 812.000 m³ e 137.000 paletes, sendo o maior Operador Logístico de congelados em capacidade instalada na América do Sul.

Falando em galpões
Para atuar na cadeia do frio, é preciso contar com galpões especialmente preparados para o setor. Uma das empresas que oferecem esse tipo de estrutura é a Bresco Investimentos (Fone: 11 4058.4555), que atua na aquisição, no desenvolvimento e na construção de propriedades por meio dos modelos build to suit, sale-leaseback e desenvolvimento de propriedades especulativas para locação. A companhia tem clientes que operam tanto produtos refrigerados, quanto congelados, sendo a maioria produtos alimentícios.
O diretor, Maurício Geoffroy, conta que a Bresco é bastante flexível para desenvolver os projetos. “Há casos em que investimos na construção do imóvel e também nas adequações, através da operação de build to suit, e outros em que os locatários foram os responsáveis pelo investimento. As partes podem negociar livremente essa divisão; o que competir ao investidor, será remunerado na forma de aluguel”, explica.
Ele conta que os investidores não se arriscam a desenvolver esse tipo de empreendimento no modelo especulativo – quando ainda não existe uma solicitação antes da entrega do imóvel. Isso porque o custo é muito elevado e as demandas variam de tamanho e de tipo de operação/temperatura. “No entanto, Operadores Logísticos buscam este tipo de galpão para atender às operações de alguns de seus clientes”, observa.
Geoffroy diz que o maquinário responsável pelo resfriamento dessas grandes áreas de armazenagem é o coração do galpão nesse tipo de operação. “É muito importante que haja um cuidado especial na escolha dos produtos, sobretudo, em busca de eficiência no atendimento à solicitação de temperatura desejada pelo cliente, bem como da melhor qualidade para evitar qualquer interrupção indesejada na operação”, explica.
Com relação às expectativas da empresa para este ano, o diretor diz que a Bresco segue bastante positiva, já que as demandas por seus produtos cresceram muito nos últimos meses, com destaque para o fechamento de importantes negociações. “Este movimento, inclusive, está em linha com a recuperação do mercado”, ressalta.
Outra companhia que atua na área é a Capital Realty, que desenvolve armazéns frigorificados para terceiros desde 1999. “O operador da cadeia do frio necessita de uma estrutura diferente da de outros que trabalham sozinhos. Seria necessário um investimento de milhões para construir armazéns próprios. Por isso, ao utilizar espaços, como os nossos, eles podem focar em outros investimentos”, conta Rodrigo Demeterco, presidente da empresa.
Ele explica que uma característica importante do armazém é a adaptação. Para temperaturas mais extremas de frio, como menos 30º C, o piso necessita ser duplo. Isso quer dizer que, em vez de um piso único para carga seca, o cliente precisa de dois pisos com isolamento entre eles. Embaixo do primeiro piso vai o piso aerado, com tubulações para que o ar circule e não haja congelamento por debaixo. Demeterco conta que a própria umidade do solo, com a proximidade de temperatura muito baixa, forma gelo, que empurra o piso para cima.
“Tudo isso já é feito na concepção do armazém. Aquele que é desenhado para o seco e precisa receber adaptação, corre muito mais riscos, porque é necessária uma intervenção mais pesada”, conta o presidente da Capital Realty.
Outra coisa para se pensar, segundo o entrevistado, é a estrutura metálica de teto do armazém, que deve ser mais robusta, porque acaba recebendo a carga dos painéis de fechamento de teto e laterais da câmara. “É como se fosse uma caixa térmica com pisos isolados com blocos de isopor”, ilustra.
Outra diferença é o uso de equipamentos de frio que precisam ser usados no teto, como tubulações e vaporizadores. “O armazém seco não necessita disso, porque tem apenas lâmpadas e tubulação de preventivo de incêndio.”
Questionado sobre os desafios dos condomínios logísticos/Centros de Distribuição para atender o setor, Demeterco diz que o principal é ter um prédio/armazém apropriado para receber os equipamentos de frio. “São operações que demandam mais, tem de ter balança rodoviária para fazer o controle pelo peso da carga, diferentemente do seco, que faz pela quantidade.”
Além disso, a operação demanda mais pátio, porque são operações intensas e diárias. O produto é perecível e circula por muitos lugares, por isso é necessário muito pátio de manobra. “Outra coisa é que o condomínio precisa ter uma entrada de energia relevante, porque a demanda de energia é alta. Estação e geradores de maior capacidade são fundamentais para atender esses grandes consumidores de energia”, finaliza.

Pensamento analítico da logística na área de saúde
Durante a Intermodal 2018, que aconteceu em março último em São Paulo, SP, a gerente responsável pela área de Soluções de Gerenciamento de Temperatura da DHL Global Forwarding (Fone: 11 5042.5500), Arlete Gago, fez uma palestra sobre o pensamento analítico da logística na área de saúde.
Ela explicou que, atualmente, as empresas e os Operadores Logísticos têm uma vasta gama de informações: internas (de vendas, marketing, etc.), de gestão de riscos (estabilidade do produto, agências regulatórias, desvios de processo) e de performance (tempo de entrega, nível de serviço). Caso todos os dados não sejam coletados e disponibilizados em uma única ferramenta, torna difícil sua leitura e avaliação das informações para mitigar o risco logístico.
“Antigamente, esses dados não eram utilizados e os insights vinham apenas dos profissionais envolvidos. Em uma primeira evolução, a abordagem Preditiva, esses dados passaram a ser consultados, mas cabia ao gestor ou profissional encarregado tomar alguma ação. Mais recentemente, surgiu a abordagem Prescritiva, pelo qual esses dados são coletados, cruzados e tratados com a ajuda do machine learning, que pode até sugerir ou mesmo tomar alguma ação de forma automática ou semiautomática”, explicou Arlete, que faz parte do Comitê de Logística Farmacêutica da Abralog – Associação Brasileira de Logística.
Para ela, procedimentos de avaliação e controle de risco estão em vigor para a segurança do paciente e são fundamentados no conhecimento científico, ou seja, em dados.
Como exemplo de fatores de risco a serem avaliados no transporte de medicamentos, Arlete citou tipo de embalagem, capacidade de armazenamento, pontos de transbordo, opções de voo, temperatura ambiente e capacidades da transportadora. “Como vemos, o volume de dados é amplo, logo, contar com o suporte de plataformas robustas de TI, se possível já com a tecnologia de machine learning, faz toda a diferença para o desenvolvimento contínuo da operação logística”, concluiu.

Newsletter
Cadastre-se aqui

JLL
Savoy
Retrak
4K