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Conteúdo 21 de março de 2008

Mudando o foco: falando da mulherada

Há alguns dias recebi o telefonema de um amigo cujo nome não divulgo para preservar sua privacidade. Na oportunidade ele comentou a respeito de conversa que teve com conhecido comum, pelo qual nutro profundo respeito e admiração. Ao se referir a meu nome, o fulano de tal não pensou duas vezes em me chamar de maluco, pelas coisas que escrevo.

Apesar de ficar um pouco chateado com essa informação, não tiro completamente a razão do sujeito. Nos últimos anos venho me dedicando a tentar enxergar o futuro através de parâmetros e avaliações que fogem do senso comum. Sinceramente, não me considero um frustrado nesse caminho que escolhi. Ainda no ano passado ouvi críticas bastante desagradáveis por avaliar como razoáveis as possibilidades de ocorrer guerra nos países amazônicos ou estourar uma crise econômica mundial de proporções respeitáveis.

Os fatos estão aí, escancarados, para mostrar que pensar de forma diferente não significa obrigatoriamente ter parafusos frouxos na cabeça (bem, alguns talvez).

Com o crédito que considero ter por tais acertos, volto a afirmar que a perspectiva da economia brasileira não é nada tranqüila diante da situação atual do mundo. Sem maiores delongas, estamos caminhando para uma crise cambial no Brasil, com conseqüentes  efeitos no âmbito da inflação e outras variáveis.

Mas esse é um assunto também exaustivamente abordado e não é apropriado se prender à mesmice. Então, vamos semear polêmica em outros campos.

E por que não falar da mulherada? O fato é que o poder das saias vêm efetivamente crescendo e tomando conta de fatias cada vez maiores da economia mundial. Se Hillary Clinton vencer a eleição desse ano nos Estados Unidos, perto de 40% do PIB global estará sendo diretamente governado pelo sexo feminino (Alemanha, Argentina, Chile, países nórdicos e outros estão nessa turma).

Os mais conservadores podem atribuir esse fenômeno a uma questão de moda; de marketing político. Mas se isso fosse verdade, outros indicadores apontando na mesma direção não existiriam… mas eles existem.

Por exemplo, pesquisa do Sebrae e do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade identifica que 52,4% dos novos negócios em operação no Brasil (com até 42 meses de vida) são de propriedade de mulheres. De acordo com outros indicadores, as meninas também ultrapassaram os machos no acesso à universidade.

Acredito ser correto afirmar que a situação em foco tem suas bases históricas nos movimentos feministas que prosperaram especialmente a partir dos anos 60. Mas a coisa não fica apenas na questão da conquista formal de direitos.

Um quadro social e econômico está realmente em fase avançada de mutação e as melhores explicações só se serão obtidas pelos historiadores do futuro.

Aparentemente, as maiores exigências intelectuais e organizacionais necessárias para que as mulheres alcancem o mesmo status profissional dos homens em uma sociedade culturalmente machista, acabaram por desenvolver maior poder intelectual médio e iniciativa empreendedora nas fêmeas.

Cedo ou tarde isso iria aparecer em indicadores objetivos; como apareceu. E pelo jeito a coisa não pára por aí.  O dado do Sebrae é referente a 2007. Em pesquisa análoga feita no ano anterior, a participação feminina no mando de novos negócios era de 43,8%. Ou seja, em apenas um ano as meninas empreendedoras avançaram 8,6 pontos percentuais no mercado empresarial. Ao que tudo indica essa proporção continuará crescendo, tendendo à predominância em termos do número absoluto de empresas.

Fazer o quê? Aos machos inconformados, recomendo a adesão ao MOLHO (Movimento de Libertação do Homem). Pode ser que no próximo século se tenha condições de pelo menos equilibrar a situação.

Por outro lado, talvez seja melhor entregar a batuta para elas mesmo e assumir a nova posição masculina no século XXI: reprodutor e tomador de cerveja.

Pensando bem, até que é uma boa idéia. Trabalhar será para mulheres … e maricas.

 

Eduardo Starosta é economista e pós-graduado em filosofia. Desde 1999 é Diretor da Estplan Assessoria e Planejamento Econômico LTDA, empresa especializada em inteligência de mercado, análise de conjuntura e cenários, com atuação central em entidades empresariais. Uma de suas obras de maior destaque é “Agrocenários, Desafios e Oportunidades” – 2006, elaborada em conjunto com o ex-ministro da agricultura, Francisco Turra. Contato: eduardostarosta@uol.com.br

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