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Conteúdo 25 de março de 2024

Navegando em águas turbulentas: desafios e implicações das interrupções nas rotas marítimas globais

*Por Luiz Soria

As implicações geopolíticas das rotas marítimas são um tema de grande relevância no cenário internacional, uma vez que o controle e a segurança dessas vias navegáveis têm impacto direto no comércio global, nas relações entre Estados e nas dinâmicas de poder no mundo.

No entanto, as mudanças climáticas e as tensões geopolíticas têm mudado as rotas marítimas, fazendo com que o setor enfrente desafios significantes.

Não é por acaso que a recente divulgação do relatório “Navegando em Águas Turbulentas” pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) expõe uma realidade alarmante: as rotas marítimas no Mar Vermelho, Mar Negro e no Canal do Panamá estão enfrentando sérias interrupções, com implicações de longo alcance para o comércio global, a inflação e a segurança alimentar e energética.

O Canal de Suez, um dos principais pontos de passagem entre a Europa e a Ásia, é particularmente afetado por essas perturbações. Em 2023, 22% do comércio global de contêineres marítimos transitou pelo canal, transportando uma vasta gama de mercadorias essenciais, incluindo gás natural, petróleo, automóveis e produtos industriais.

No entanto, o aumento dos riscos de ataques no Mar Vermelho tem levado muitos navios a evitarem o Canal de Suez, optando por uma rota mais longa ao redor da África. Esta mudança tem sido drástica: apenas na primeira quinzena de fevereiro de 2024, 586 navios porta-contêineres foram redirecionados, resultando em uma queda de 82% na tonelagem de contêineres que atravessam o canal.

As consequências dessas interrupções são profundas e abrangentes. O aumento das distâncias percorridas devido ao desvio do Canal de Suez para o Cabo da Boa Esperança resulta em um aumento estimado de 70% nas emissões de gases do efeito estufa em uma viagem de ida e volta de Singapura ao Norte da Europa. Este é apenas um exemplo do impacto ambiental negativo dessas mudanças nas rotas marítimas.

Além disso, as interrupções nas rotas marítimas têm implicações diretas para o comércio global, a inflação e a segurança alimentar e energética. O aumento dos custos de transporte e as possíveis escassezes de produtos essenciais podem levar a aumentos nos preços ao consumidor e à instabilidade econômica em todo o mundo.

Diante desses desafios, é urgente que a comunidade internacional trabalhe em conjunto para encontrar soluções eficazes para garantir a segurança e a fluidez das rotas marítimas globais. Isso requer cooperação entre os países afetados, investimentos em infraestrutura e segurança marítima, medidas para mitigar os impactos ambientais dessas interrupções.

Precisamos agir com determinação e colaboração para enfrentar esses desafios e proteger o futuro do comércio marítimo e da economia global.

**Luiz Soria é CEO da Skymarine

 

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